CPI da Petrobras convoca Duque e aprova acareação entre ex-diretores da estatal

A CPI mista que investiga as denúncias de irregularidades na Petrobras aprovou nesta terça-feira a convocação do ex-diretor da estatal Renato Duque e a realização de uma acareação entre outros dois ex-diretores da companhia, Paulo Roberto Costa, de Abastecimento, e Nestor Cerveró, da área internacional.

REUTERS

18 Novembro 2014 | 16h28

De acordo com a Agência Câmara, a intenção do deputado Enio Bacci (PDT-RS), autor do requerimento de acareação, é contrapor declarações de Costa que afirmou que Cerveró recebeu recursos do esquema de desvio de recursos na estatal.

A comissão também aprovou a convocação do presidente licenciado da Transpetro, uma subsidiária da Petrobras, Sérgio Machado.

Costa foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato. Em um processo de delação premiada, ele disse em depoimento à Justiça que empresas contratadas pela Petrobras formaram um cartel e cobravam um sobrepreço nos contratos com a petroleira.

Parte desses recursos pagos em sobrepreço eram repassados, segundo Costa, a partidos políticos como PT, PP e PMDB. Outra parte ficaria com os diretores envolvidos e com operadores que repassariam esses recursos.

A CPI, composta por senadores e deputados, também aprovou a convocação de Duque, ex-diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais da Petrobras, e um dos presos na última sexta-feira pela PF em uma nova fase da Lava Jato.

Em depoimento à Procuradoria da República, o executivo da empresa Toyo Setal Augusto Mendonça Neto disse ter pago cerca de 60 milhões de reais de propina a Duque.

Em nota divulgada na segunda-feira, a assessoria de imprensa de Duque afirmou que o ex-executivo desconhece a existência de um cartel por fornecedores da Petrobras e negou envolvimento em atividades criminosas.

Além de Duque, executivos de algumas das maiores empreiteiras do país também foram presos pela PF na sexta passada.

Machado, por sua vez, foi convocado pelos parlamentares que integram a comissão após Costa afirmar, também em depoimento à Justiça, que entregou recursos de propina para o presidente licenciado da Transpetro.

(Por Eduardo Simões, em São Paulo)

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