CPI pede informações por escrito ao procurador-geral

A CPI do Cachoeira aprovou nesta terça-feira um requerimento que pede ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, explicações sobre os procedimentos adotados pelo Ministério Público em relação as investigações da Polícia Federal nas operações Vegas e Monte Carlo.

REUTERS

15 Maio 2012 | 17h17

Os parlamentares deram prazo de cinco dias úteis para que Gurgel encaminhe por escrito as explicações sobre quando os inquéritos chegaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) e que procedimentos foram adotados pelos membros do Ministério Público depois de serem informados pela PF.

Desde a semana passada, membros da CPI e Gurgel têm trocados farpas, o que quase provocou a convocação de Gurgel à comissão.

A CPI tem dúvidas sobre a atuação da PGR e questiona se não houve negligência da instituição em relação às investigações da Polícia Federal, já que a operação Vegas foi concluída em 2009 e apenas neste ano Gurgel ofereceu denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A denúncia oferecida pelo procurador-geral no STF visa investigar a participação de parlamentares na suposta organização criminosa comandada pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que á o principal alvo de investigação da CPI.

Gurgel disse na semana passada que quem estava levantando suspeitas sobre o seu procedimento estava tentando atingi-lo por causa do julgamento do Mensalão, que deve ocorrer nos próximos meses.

Como procurador-geral, Gurgel é responsável pela acusação dos 38 réus do processo mensalão, escândalo deflagrado em 2005, durante governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que parlamentares receberiam dinheiro em troca de apoio político.

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), suspendeu temporariamente os requerimentos que pediam a convocação de Gurgel e da subprocuradora, Cláudia Sampaio, mulher do procurador-geral, que fez a interlocução com os policiais federais que encaminharam as investigações da operação Vegas ao Ministério Público.

A Procuradoria Geral da República alegou em nota que os documentos recebidos após a Operação Vegas, em 2009, foram considerados insuficientes para levar o procurador a acionar o Supremo, o que foi feito em março deste ano, quando os dados da Operação Monte Carlo chegaram à Procuradoria.

Cachoeira, que está preso desde fevereiro acusado de comandar uma rede de jogos ilegais, se beneficiaria de relações com parlamentares, como o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Demóstenes é alvo de uma processo no Conselho de ética do Senado que investiga se houve quebra de decoro por parte do parlamentar por conta de suas relações com Cachoeira.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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