Crédito em favor do consumo

O crédito, em 2009, esteve sobretudo a serviço dos consumidores, sustentado pela ação do governo federal. É o que se conclui da análise das operações de crédito até novembro .

, O Estadao de S.Paulo

30 Dezembro 2009 | 00h00

Essas operações chegaram a 44,9% do PIB, ante 38,0% em novembro de 2008, período em que o PIB diminuiu 1,7% em valor absoluto. Nesse mesmo período, o crédito cresceu 14,9%, sendo 19,3% para as pessoas físicas (PFs) e 11,5% para as pessoas jurídicas (PJs).

Vê-se aí que a política creditícia deu prioridade às famílias, em lugar das empresas. Isso parece explicar-se pelo fato de que a taxa de juros média para as empresas passou de 31,4% a.a em novembro de 2008 para 26,0% um ano depois, muito alta, pois maior do que a rentabilidade normal da atividade empresarial. Verifica-se que aumentaram 32,8% as operações no caso do crédito direcionado, dependente de organismos públicos que oferecem taxas menores.

Ao contrário, as famílias, embora com uma taxa maior (43,0%, ante 58,9% um ano atrás), não recusaram os créditos. É verdade que se aproveitaram do sistema de crédito consignado, com taxa de 26,9%, cujas operações aumentaram 35,9%. Aproveitaram-se também do crédito imobiliário que depende, basicamente, do crédito direcionado, cujas operações cresceram 20,7% num ano.

O crédito em geral centrou-se no consumo, como mostram as operações com cartões de crédito, que, apesar dos seus custos exorbitantes, tiveram aumento de 17,5% .

O governo favoreceu o consumo, mas a um custo elevado para as famílias que se endividaram. Por enquanto, essa é uma situação que ainda não se traduziu por uma elevação da inadimplência graças a um aumento da massa salarial, porém representa um encargo que, a médio prazo, poderá criar problemas ou levar a uma redução do consumo.

O governo impulsionou o crescimento do crédito, pois a participação das instituições públicas na sua distribuição passou de 13,8% do PIB para 18,4% em um ano, enquanto a das instituições privadas nacionais foi de 16,8% para 18,2% do PIB e os bancos estrangeiros mantiveram sua participação em 8,3% do PIB. O destaque é o BNDES, cujas operações cresceram 49% no ano, graças a um aporte importante do Tesouro.

As necessidades do aporte de capital do Tesouro para os bancos públicos poderão limitar a expansão do crédito no futuro, que o governo estima em 20% no próximo ano.

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