Crédito farto faz cliente optar por veículos novos

Juros menores e parcelas mais longas no financiamento de carro zero-quilômetro conquistam o consumidor que antes comprava usados

Lucas Litvay, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2007 | 05h59

A abundância na oferta de crédito e o aumento das parcelas de financiamento vêm provocando a migração do consumidor de veículos usados para modelos zero-quilômetro. "Esse fenômeno foi um dos responsáveis pela revisão para cima na vendas de novos pela Anfavea na semana passada", aponta o consultor automotivo Paulo Rodrigues, da LM. No início do ano a entidade que reúne as fabricantes esperava um crescimento anual de 7%. Agora a expectativa é de acréscimo de 22%.De acordo com Marcio José Silva, gerente de vendas da Caraigá, concessionária Volkswagen, a facilidade de crédito no veículo zero-km faz com que o consumidor pense duas vezes antes de fechar a compra de um usado. "Aqui na loja, essa migração existe literalmente. O setor de usados fica do outro lado da rua e é fácil observar a quantidade de pessoas atravessando rumo à seção de novos", diz. Segundo ele, no ano, a venda de veículos com hodômetro zerado é três vezes maior do que a de modelos de segunda mão. "Hoje quem compra um usado é apenas um público que dá mais valor ao bolso, que procura uma menor desvalorização." "Está complicado vender um veículo usado", sentencia Edgard Villanova, gerente de vendas da Ford Caoa João Dias. A explicação para isso, segundo ele, está no parcelamento de até 72 vezes no veículo novo. "As vendas de usados estão as mesmas que as do ano passado. Já as de novos explodiram." "A expectativa é que o comércio de seminovos cresça entre 10 e 15% no ano", afirma George Chahade, presidente da Assovesp (associação que reúne os revendedores de veículos usados). Segundo ele, o volume de certa forma pomposo acontece porque o início de 2006 foi marcado por vendas fracas. Mas Chahade admite que é difícil competir com o financiamento de novos que trabalha com promoções com parcelas de mais de 40 meses e sem entrada."Essa migração de preferência do consumidor vem sendo sentida desde o finalzinho do ano passado. E é em larga escala", diz Marcelo Pauletto, vendedor da Santa Paula Multimarcas."Entre comprar um Uno 96 em 36 parcelas de R$ 500 e um Fox novo em 60 vezes de R$ 600, o cliente vem escolhendo a segunda opção. Hoje, no financiamento a diferença de valor no pagamento mensal é mínima." Ele aponta maior garantia e status como pontos que pesam a favor da escolha pelo carro novo.

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