Crédito para o consumo das famílias

A publicação do saldo das operações de crédito no mês de outubro mostra que elas chegaram a 45,9% do PIB, ante 39,5% um ano atrás. Foi o crédito para as pessoas físicas (PFs) que mais contribuiu para a elevação do saldo (+1,4% em relação ao mês anterior), e a mesma evolução se verifica nas concessões. Apesar de uma redução da inadimplência, a taxa de juros média em geral aumentou.

, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

A oferta de crédito é hoje comandada pelo setor público por meio dos bancos oficiais, cujos empréstimos representam já 18,7% do PIB, ante 13,8% um ano atrás, e cujos créditos direcionados aumentaram 2,2% em outubro, ante 1,4% em todo o sistema.

Com a prioridade dada ao consumo doméstico, o governo favorece, acima de tudo, as PFs, e as concessões de crédito para elas no mês de outubro cresceram 3,6%, enquanto para as pessoas jurídicas (PJs) se registrou um recuo de 1,6% - um fato surpreendente, levando em conta o crescimento tanto da produção industrial quanto das vendas varejistas num período em que normalmente há constituição de estoques.

O crédito consignado, que representa 59% dos créditos em favor das PFs, cresceu 2,4% no mês. Levando em conta o crédito direcionado, que depende do governo, verifica-se que os empréstimos para a habitação cresceram no mês e são destinados na grande maioria às PFs. Ao mesmo tempo, os créditos do BNDES aumentaram 1,7%.

Normalmente, uma expansão do crédito é acompanhada por uma redução da taxa de juros, especialmente quando a inadimplência se está reduzindo. Em outubro, porém, registrou-se um aumento das taxas médias de juros - de 43,6% ao ano para 44,2%, no caso das PFs, e de 26,3% para 26,5%, no das PJs. Houve redução da inadimplência no caso das PFs e, no das PJs, a inadimplência ficou estável. Tudo indica que as instituições financeiras aumentaram seus juros em razão do custo mais elevado da captação no mercado externo.

As PJs não aumentaram suas operações de crédito certamente por causa do alto custo: para a operação mais corrente das empresas - capital de giro - a taxa média ficou em 31,1% ao ano, enquanto, no mesmo período, uma família podia comprar um carro pagando juros de 25,6% ao ano.

Num momento em que se estudam medidas para compensar os efeitos da valorização do real para as exportações, útil seria avaliar o peso do crédito nessa atividade.

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