Credores da GM ficam contra venda de ativos a governo dos EUA

Uma grupo dissidente de detentores de bônus da General Motors defendeu o bloqueio de uma proposta de venda de ativos da montadora para o governo por entender que a operação não representará "uma venda legítima". O argumento foi feito durante uma audiência com juiz que avalia a recuperação judicial da empresa.

EMILY CHASAN E PHIL WAHBA, REUTERS

02 Julho 2009 | 16h13

Qualificando a venda da GM como uma primeira tentativa de uma "concordata de nacionalização", o advogado de falências da Patton Boggs Michael Richman, que representa o grupo de credores dissidentes, afirmou que o governo norte-americano foi "arrogante" no resgate da montadora e que estaria burlando a lei.

A GM esteve presente no tribunal de falências de Manhattan nesta quinta-feira buscando a aprovação do juiz Robert Gerber para a proposta de venda de seus melhores ativos à "Nova GM", que será financiada pelo governo norte-americano.

Ao longo dos três dias da audiência, os advogados da empresa, junto com seu presidente-executivo, Fritz Henderson, e uma autoridade de alto-escalão da força-tarefa do governo, criada para socorrer a indústria de automóveis do país, têm defendido que a venda dos ativos é a única opção para a sobrevivência da GM.

Caso o acordo seja aprovado, a Nova GM planeja se tornar uma empresa com as melhores partes da antiga GM, com uma força de trabalho menos cara e com dívidas menores.

A "antiga GM", que incluiria suas marcas de menor sucesso e fábricas excedentes, seria então liquidada perante um tribunal de falências.

Mas Richman, que representa o grupo que se intitula "Comitê Não-Oficial de Famílias e Credores Dissidentes da GM", sustenta que a venda não foi negociada como uma venda legítima a interessados terceiros independentes.

Em vez disso, Richman afirma que o governo determinou o que seria necessário para uma "oferta de acordo" aos "interessados preferenciais" e depois, ele próprio decidiu o valor da venda ao fim das negociações.

Segundo Richman, "não dá para acreditar" que o governo norte-americano iria se voltar contra a GM depois de conceder à empresa bilhões de dólares em auxílio. Ele pediu ao juiz que comprove que o governo abandonaria a montadora caso o acordo para a venda não seja fechado até 10 de julho.

O grupo de credores quer que a GM siga o curso de uma recuperação judicial contra falência tradicional, em que os credores tem poder de voto, em vez de seu destino depender de uma proposta de venda de ativos.

A GM pede para o juiz Gerber aprovar a venda um mês depois de ter entrado com pedido de proteção judicial contra falência uma vez que nenhum outro interessado ofereceu uma alternativa para a empresa.

Sob os termos do acordo, o Tesouro dos Estados Unidos vai fornecer 60 bilhões de dólares em financiamento para a nova empresa. O investimento dará ao Tesouro dos EUA 60 por cento de participação na empresa.

A entidade sindical United Auto Workers ficaria com 17,5 por cento da companhia, o governo do Canadá com outros 12 e os credores da GM terminariam com 10 por cento da montadora.

Uma venda bem sucedida dos principais ativos da GM seria uma segunda grande vitória da força-tarefa do governo de Barack Obama. A equipe ajudou na venda da Chrysler para um grupo de investidores liderados pela Fiat no mês passado.

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