CREF vai apurar afogamento em escola de SP

O Conselho Regional de Educação Física de São Paulo (CREF-SP) vai acompanhar a investigação sobre a morte do menino Bernardo Gonçalves, de 3 anos, que se afogou anteontem, quando terminava a aula de natação, na piscina do Centro Educacional Brandão (CEB) - Comecinho da Vida, escola particular em Moema, zona sul da capital paulista. O presidente da entidade, professor Flávio Delmanto, disse ontem que o CREF também fará uma sindicância do acidente. A professora pode ser punida.

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h08

"Há um código de ética para o profissional tomar os cuidados e evitar o problema. Foi uma fatalidade. Precisa de sindicância para ver de quem foi a culpa", disse.

O CREF pretende, no entanto, aguardar o inquérito da Polícia Civil para verificar a responsabilidade da professora Raquel Campos e da auxiliar Franciene Almeida. Elas foram presas por homicídio culposo (sem intenção de matar). Ambas estão em liberdade provisória depois de pagarem fiança de R$ 10 mil cada.

No entender da delegada Ancilla Vega, que investiga a morte do aluno, houve imprudência ou negligência nos cuidados com Bernardo. Depois de retirar os alunos da piscina, Raquel encontrou Bernardo sem as boias nos braços - com as quais estava durante a aula - e desmaiado dentro da piscina, segundo depôs à polícia. Ela prestou socorro no ato, mas ele chegou sem vida ao hospital.

A delegada sustenta que deveria haver mais professores dando aula de natação para as 17 crianças da turma - naquele momento, apenas 11 estavam na piscina. Isso também pode fazer com que a direção do CEB seja responsabilizada criminalmente.

Não existe uma regulamentação no País sobre quantos professores deve haver por aluno em aulas de natação. Mas para o especialista no esporte e membro do Conselho Federal de Educação Física Wagner Gomes, o número era insuficiente para o tamanho da turma e estava fora do padrão de segurança: "Se é aluno com boia de braço, não deveria ter mais de quatro alunos por professor, porque eles não têm habilidade aquática, não estão adaptados à piscina. De 0 a 3 anos a gente considera quase aula de bebê".

Em nota, a equipe do CEB se disse consternada. "Reiteramos nosso compromisso de fornecer à Justiça todas as informações solicitadas."

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