Cresce cultivo de papoula no Afeganistão com alta dos preços

A economia da papoula no Afeganistão, que oferece um meio financeiro vital para os insurgentes no país assolado pela guerra, cresceu significativamente em 2011 por conta dos preços crescentes e da expansão do cultivo, mostrou um relatório nesta terça-feira.

ZHOU XIN E MARTIN PETTY, REUTERS

11 de outubro de 2011 | 10h31

A terra sob cultivo de papoula em 2011 aumentou 7 por cento em comparação a 2010, com os agricultores procurando capitalizar o salto nos preços do ópio causado por uma doença não-identificada no ano passado, segundo o relatório conjunto do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e do Ministério de Combate aos Narcóticos do Afeganistão.

Três províncias no norte e leste do país que haviam sido declaradas "livres de papoula" retomaram a produção, apontou o relatório, e o aumento se deu mesmo com o salto de 65 por cento na erradicação da lavoura em comparação a 2010, que aconteceu em 18 províncias, ante 11 em 2010.

Jean-Luc Lemahieu, chefe no Afeganistão do UNODC, estimou que os militantes poderão arrecadar até 700 milhões de dólares com ópio em 2011.

"Em 2011, os agricultores fizeram 1,4 bilhão de dólares, então, potencialmente, insurgentes este ano estão recebendo 700 milhões de dólares", disse Lemahieu em coletiva.

O cálculo se baseia no modelo de compartilhamento de lucro da última década, no qual os insurgentes receberam 10 por cento e os agricultores 20 por cento dos lucros no Afeganistão.

Se os números iniciais estiverem certos, o tamanho da economia da papoula no país em 2011 será de cerca de 7 bilhões de dólares. Excluindo a papoula, o Produto Interno Bruto (PIB) afegão é de 16 bilhões de dólares em 2011, segundo dados oficiais.

Os preços do ópio mais que duplicaram no Afeganistão no ano passado depois que a produção foi cortada devido a uma doença não-explicada e os agricultores lucraram 10.700 dólares por hectare de papoula cultivada, um salto de 118 por cento frente a um ano antes.

A área total de cultivo depois da erradicação no Afeganistão era estimada em 131 mil hectares este ano, acima dos 123 mil do ano passado, informou a UNODC.

O Afeganistão há tempos é o maior fornecedor mundial de ópio, com cerca de 90 por cento da produção global, e nos últimos anos produziu milhares de toneladas a mais que toda a demanda global pela droga.

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