Cresce número de idosos entre os endividados

Pesquisa mostra que aumento ocorreu principalmente na faixa de 61 a 70 anos, com alta de 3 pontos porcentuais

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2009 | 00h00

Cresceu a participação dos idosos, com mais de 60 anos, no total da população que busca crédito pela primeira vez, enquanto a fatia dos mais jovens recuou. Estudo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), feito com os dados nacionais do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), revela que, de janeiro a outubro deste ano, a participação da população de 61 a 70 anos no total dos novos endividados cresceu 3 pontos porcentuais em relação a 2008. Na faixa etária acima de 70 anos, o acréscimo foi de 2 pontos porcentuais.

Enquanto isso, no mesmo período de comparação, a participação dos mais jovens no total de novos endividados diminuiu 4 pontos porcentuais no grupo dos que têm entre 31 e 40 anos de idade e 3 pontos porcentuais, na população entre 41 e 50 anos, aponta o estudo.

"Os mais idosos estão tomando mais crédito pela primeira vez, além do empréstimo consignado", diz o economista da ACSP, responsável pelo estudo, Marcel Solimeo. Ele ressalta que a maior parte dos idosos está levantando dinheiro com bancos e financeiras e que o endividamento não está ocorrendo nas lojas, isto é, não está direcionado para o consumo.

De acordo com o estudo, 40% das consultas realizadas neste ano para aprovar crédito para os que têm entre 61 e 70 anos foram feitas por bancos e 21% por financeiras. Para o grupo com mais de 70 anos, 32% das consultas foram de bancos e 9% de financeiras.

Na análise de Solimeo, dois fatores podem explicar esse movimento de endividamento entre os idosos. "Isso pode revelar que eles se tornaram "laranjas" da família, pegando empréstimos para parentes, já que eles apresentam os menores índices de inadimplência." A outra razão para esse crescimento seria um endividamento excessivo no crédito consignado, aquele com desconto direto na aposentadoria, que foi a linha de empréstimos que mais cresceu nos últimos tempos.

SEM CONSIGNADO

Na última quinta-feira, o taxista de 70 anos de idade Fernando Lima foi checar a situação no cadastro do SCPC. "Vou pegar um financiamento no ano que vem para comprar um carro de praça." Hoje ele é aposentado, recebe um salário mínimo por mês (R$ 465) e trabalha como taxista numa frota. Segundo ele, o custo de ser frotista é alto - ele paga R$ 100 por dia para usar o carro, tendo ou não corrida. Com um táxi próprio, conseguiria ganhar mais.

A intenção de Lima é levantar um empréstimo normal de R$ 25 mil em banco para quitá-lo em quatro anos. "Mas não vou pegar crédito consignado." Outro dia, disse ele, quando foi receber a aposentadoria num caixa eletrônico do banco, apertou, por engano, uma tecla que liberou um crédito consignado de R$ 2 mil. "Eu devolvi o dinheiro. Não quero crédito consignado. Os bancos dão com uma mão e tiram com a outra."

Além do carro novo, Lima tem outros planos para o ano que vem: quer comprar a casa própria.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.