Cresce o número de famílias chefiadas por mulheres no País

Pesquisa do Ipea divulgada nesta terça também aponta que negros ainda estão menos presentes nas escolas

Ana Luísa Westphalen, da Agência Estado, e Reuters,

09 de setembro de 2008 | 11h28

A proporção de famílias chefiadas por mulheres no País vem crescendo e, em 2006, alcançou o índice de 28,8%. O dado consta do estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgado nesta terça-feira, 9, pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) e feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).    O relatório do Ipea   Em 1993, o porcentual de mulheres que chefiavam as famílias no Brasil correspondia a 19,7%.  O levantamento também mostrou que o acesso ao ensino médio no País é muito mais limitado para a população negra. Segundo o estudo, no ensino fundamental, a taxa de escolarização líquida (proporção da população matriculada no nível de ensino adequado à sua idade) para a população branca era de 95,7% em 2006; entre os negros, era de 94,2%.   Já no ensino médio, essas taxas eram, respectivamente, 58,4% e 37,4%. De acordo com o Ipea, isso é reflexo do fato de os negros se encontrarem nos grupos de menor renda, sendo pressionados mais cedo a abandonar os estudos e ingressar no mercado de trabalho.    A população negra também é mais dependente do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a pesquisa, em 2003, o SUS foi responsável por 63,5% dos atendimentos e 69,3% das internações ocorridas em todo o País. Para os brancos, 54% dos atendimentos e 59% das internações foram cobertos pelo sistema, enquanto para os negros as proporções representam 76% e 81,3%, respectivamente.   Desigualdades   No geral, a pesquisa mostra que, apesar da diferença entre ricos e pobres ter caído nos últimos anos, as desigualdades sociais que afetam mulheres e negros seguem em patamares muito elevados.   De acordo com a sondagem, as mulheres tinham, em 2006, uma renda média de dois terços da renda de um homem. Já a renda média dos negros era a metade da de um branco.   "A discriminação motivada por sexo e por grupo de cor ou raça encontra-se disseminada em diversos campos da vida social", apontou o levantamento.   Há dois anos, os homens recebiam em média cerca de R$ 885 ao mês, enquanto as mulheres, R$ 577. Em 1996, a proporção era de R$ 962 para os homens e R$ 561 reais para as mulheres.   No mesmo período, os negros como um todo recebiam cerca de metade do rendimento dos brancos, perfazendo R$ v502 reais por mês, contra R$ 986,50.   Dez anos antes, a distância era um pouco maior: os negros ganhavam uma média de R$ 482 ao mês, e os brancos, R$ 1.044.                                      "Os negros trabalham durante mais tempo ao longo da vida, entrando mais cedo e saindo mais tarde do mercado de trabalho", diz o estudo.                                      Em agosto deste ano, o próprio Ipea divulgou um estudo que apontou queda na diferença de salário entre ricos e pobres. O crescimento econômico e programas sociais como o Bolsa Família foram apontados na ocasião como responsáveis pelo cenário.                                      A atual pesquisa, no entanto, indica que essa melhora não provocou mudanças tão efetivas nas condições de vida entre mulheres e negros, que constituem a maioria da população brasileira. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.