Cresce papel da Irmandade Muçulmana no Egito

Líderes da juventude egípcia começaram a formar um novo partido político nesta quinta-feira, enquanto a Irmandade Muçulmana exerce um papel cada vez mais importante na preparação das eleições pós-Mubarak, prometidas para dentro de seis meses.

SHERINE EL MADANY E PATRICK WERR, REUTERS

17 de fevereiro de 2011 | 13h39

Ainda nesta quinta-feira, um oficial do Exército do Egito informou que a instituição não apresentará candidato às eleições presidenciais.

A vida no Egito ainda está longe do normal, seis dias após a queda de Hosni Mubarak, de 82 anos. Há tanques nas ruas do Cairo, os bancos estão fechados, há protestos de trabalhadores e manifestações de fervor religioso, e as escolas estão fechadas.

"Estamos vivendo um teste do qual ainda não saímos", disse o porta-voz do Exército, general Ismail Eetman, na televisão estatal na noite de quarta-feira. "Vocês estão satisfeitos com as greves, as paralisações, as fábricas fechadas, os bancos que não estão funcionando?"

"O Alto Conselho Militar vai colocar as coisas nos eixos, mas ajudem-nos", disse ele. "As Forças Armadas não têm ambições para o futuro e querem entregar o poder aos partidos civis quando estes estiverem suficientemente fortes para não desabar."

A Irmandade Muçulmana tem um de seus membros no comitê constitucional, participa de um conselho criado por ativistas para proteger a revolução, e já declarou que criará um partido político assim que as leis forem modificadas de modo a permitir que ela e outros grupos o façam.

O porta-voz da Irmandade apareceu na televisão estatal alguns dias atrás - a primeira vez que isso é feito pelo movimento islâmico posto na ilegalidade na era de Mubarak.

A Irmandade é vista com desconfiança pelos Estados Unidos, mas é considerada o único bloco verdadeiramente organizado no Egito e calcula que poderia receber até 30 por cento dos votos em uma eleição livre.

Depois de mostrar-se tímida nos primeiros dias da revolta, percebe-se que agora considera que é seguro se manifestar.

Líderes pró-democracia pretendem levar 1 milhão de pessoas às ruas na sexta-feira numa "Marcha da Vitória" para festejar a queda de Mubarak e, possivelmente, lembrar aos generais da força das ruas.

O Alto Comando Militar, que assumiu a direção do país após a queda de Hosni Mubarak, estava sendo pressionado nesta quinta-feira por ativistas que reivindicavam a soltura imediata de presos políticos e o fim do estado de emergência.

Um comitê que inclui um membro da Irmandade, Sobhi Saleh, além de especialistas legais e constitucionais, iria reunir-se nesta quinta-feira, enquanto os militares desmontam os mecanismos que mantinham o governo autocrático de Mubarak.

Saleh disse na quarta-feira que o conselho militar comprometeu-se a revogar as leis de emergência antes das eleições.

Alguns líderes seculares temem que apressar-se a realizar eleições em um país onde Mubarak reprimiu a maior parte das atividades da oposição possa significar entregar de bandeja uma vantagem à Irmandade, proibida sob o governo de Mubarak.

(Reportagem de Marwa Awad, Edmund Blair, Alexander Dziadosz, Shaimaa Fayed, Andrew Hammond, Alistair Lyon, Sherine El Madany, Tom Perry, Tom Pfeiffer, Yasmine Saleh, Patrick Werr, Jonathan Wright e Dina Zayed no Cairo, Amena Bakr na Arábia Saudita e William Maclean em Londres)

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