Cresce pressão sobre a Síria, mas potências se dividem

Termina nesta sexta-feira o prazo dado pela Síria para aceitar a presença de monitores da Liga Árabe, sob pena de enfrentar sanções devido à repressão contra manifestantes que exigem a renúncia do presidente Bashar al Assad.

DOMINIC EVANS, REUTERS

25 de novembro de 2011 | 09h09

Chanceleres árabes reunidos no Cairo intensificaram a pressão para que o governo sírio receba os monitores que avaliarão o cumprimento de um plano de paz da Liga Árabe para acabar com oito meses de conflito na Síria. Caso isso não ocorra, eles podem impor no sábado sanções financeiras e comerciais ao governo de Assad.

A ameaça se soma à pressão da França, que propôs a criação de "corredores humanitários" para aliviar o sofrimento dos civis.

Uma fonte diplomática ocidental disse que o plano francês, com ou sem aprovação do governo sírio, poderá ligar os centros civis da Síria às fronteiras com Turquia e Líbano, à costa do Mediterrâneo ou a um aeroporto. O objetivo seria transportar suprimentos humanitários à população.

O chanceler francês Alain Juppé disse que não se trata de uma intervenção militar, mas admitiu que os comboios humanitários precisarão de proteção armada.

Mas Rússia, China e os demais países do bloco de nações emergentes conhecido como Brics alertaram contra qualquer intervenção estrangeira sem aval da ONU, e pediram a Assad que comece a negociar com a oposição.

Pela iniciativa da Liga Árabe, Assad se comprometeu a retirar as tropas dos centros urbanos, libertar presos políticos, dialogar com a oposição e permitir a entrada de monitores e jornalistas estrangeiros na Síria.

O acordo foi aceito no começo do mês, mas desde então centenas de pessoas foram mortas. A ONU diz que, desde março, o conflito na Síria já causou pelo menos 3.500 mortes. O governo diz estar enfrentando grupos terroristas armados patrocinados pelo exterior, e afirma que mais de 1.100 soldados e policiais já foram mortos.

Na quinta-feira, o Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede em Londres, disse que pelo menos mais 47 pessoas foram mortas, sendo 16 soldados e 17 desertores, principalmente nos arredores de Homs e Rastan, no norte.

Em nota, os chanceleres da Liga Árabe disseram que a Síria também poderá sofrer sanções caso posteriormente descumpra os termos do acordo, se continuar matando manifestantes, ou se não libertar os presos políticos.

O grupo acrescentou que as eventuais sanções serão impostas de modo a não afetar a população síria, só o governo. A economia da Síria já se ressente dos oito meses de distúrbios e das sanções europeias e norte-americanas contra exportações petrolíferas e negócios com estatais do país.

Após meses em que a comunidade internacional parecia determinada a evitar uma asfixia direta do regime, o consenso diplomático parece estar mudando.

Há duas semanas, a Liga Árabe suspendeu a Síria dos seus quadros, e nesta semana o primeiro-ministro da vizinha Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que Assad deveria renunciar para não ter o mesmo fim de ditadores como Adolf Hitler, Benito Mussolini e Muammar Gaddafi.

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