Cresce pressão sobre Assad, mas Rússia mantém apoio

A Rússia manteve na quinta-feira seu apoio ao presidente da Síria, Bashar al Assad, enquanto países ocidentais aumentaram a pressão contra a repressão do governo local às manifestações pró-democracia.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

17 de novembro de 2011 | 17h01

A Liga Árabe suspendeu a Síria e deu até o final da semana para que o governo de Assad acate um plano regional destinado a acabar com a violência, que segundo a ONU já causou mais de 3.500 mortes.

Sergei Lavrov, chanceler da Rússia - um dos últimos países ainda aliados de Assad -, disse que a pressão pela renúncia do presidente destruirá a iniciativa árabe, que prevê um diálogo entre o governo e a oposição.

"Se alguns representantes da oposição, com apoio de alguns países estrangeiros, declaram que esse diálogo só pode começar depois que o presidente Assad sair, então a iniciativa da Liga Árabe perde seu valor e significado", disse Lavrov.

Ele fez essas declarações após se reunir com a chefe da política externa da União Europeia, Catherine Ashton, que defendeu a máxima pressão mundial possível sobre Assad.

"O futuro da Síria agora depende da habilidade de todos nós para mantermos a pressão sobre eles, para que vejam que há uma necessidade de parar essa violência, ouvir as pessoas e encontrar um caminho para seguir em frente", disse Ashton em entrevista coletiva em Moscou.

Lavrov disse anteriormente que um ataque realizado na quarta-feira por militares desertores contra um complexo de inteligência da Força Aérea, nos arredores de Damasco, "já é completamente semelhante a uma verdadeira guerra civil".

Fontes da oposição disseram que 20 policiais morreram ou ficaram feridos no ataque, o primeiro desse tipo em oito meses de rebelião popular contra Assad. Não foi possível verificar o número de baixas. As autoridades sírias não mencionaram o ataque. Desde março a imprensa estrangeira foi expulsa do país.

Moradores do subúrbio de Harasta, onde ocorreu o ataque, disseram que os rebeldes dispararam granadas de propulsão e metralhadoras durante dez minutos, e que cerca de 70 pessoas foram detidas em retaliação.

A Síria diz estar enfrentando grupos terroristas patrocinados pelo exterior, e afirma já ter perdido mais de 1.100 policiais e soldados.

A violência na Síria, parte da onda regional de protestos conhecida como Primavera Árabe, irrita governos árabes e ocidentais, cujas críticas a Assad já motivaram vários ataques a missões diplomáticas em Damasco e outras cidades nesta semana.

A imprensa estatal disse que as autoridades prometeram punir os responsáveis por essas ações.

Também na quinta-feira, a França disse estar estimulando grupos oposicionistas sírios, entre eles o Conselho Nacional Sírio, com sede em Paris, mas que continua sendo contra uma intervenção militar estrangeira.

(Reportagem adicional de Souhail Karam em Rabat, Dominic Evans em Beirute, John Irish em Paris, Steve Gutterman e Thomas Grove em Moscou, Tabassum Zakaria em Washington)

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