Crescimento do Brasil passa pela educação, diz Wright

O Brasil vem perdendo a corrida da competitividade nos últimos dez anos para economias como a chinesa, a indiana e a coreana, afirmou nesta terça-feira o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e coordenador do Programa de Estudos do Futuro da Fundação Instituto de Administração da USP (Profuturo-FIA), James Wright. Os números de uma pesquisa da PricewaterhouseCoopers atestam a opinião do professor. "Se olharmos para a produtividade, estamos perdendo a corrida. Há dez anos nossa produtividade cresce a uma média de 1,5% ao ano", disse Wright. "Já a da China vem crescendo a 9% ao ano, a da Índia, a 6%, e a da Coreia, a 3%."

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS. OLÍVIA BULLA E DAYANNE SOUSA, Agência Estado

06 de novembro de 2012 | 13h33

"A distância está aumentando em termos de geração de renda", disse o professor da FEA/USP, que participou nesta terça-feira, na capital paulista, do seminário "Educação e formação de mão de obra para o crescimento", terceiro evento da série de fóruns Brasil Competitivo, realizados pela Agência Estado em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Wright observou que o mundo está de olho no Brasil, que será a quarta maior economia do mundo. "A questão é: vamos crescer com qualidade?", questionou ele, antes de completar. "Para isso temos um desafio enorme para melhorar a produtividade, o que obviamente envolve qualificação profissional, infraestrutura e taxa de poupança, entre outros. Mas o desafio fundamental é o desenvolvimento da educação."

De acordo com o professor, um trabalhador brasileiro em 2011 gerava anualmente R$ 31.085 de Produto Interno Bruto em relação à População Economicamente Ativa (PIB/PEA). Para atingir a mesma produtividade que um mexicano em 2040, cada trabalhador brasileiro deverá gerar R$ 120.545 naquele ano. "É um grande desafio de produtividade", ressaltou.

Ainda de acordo com Wright, o problema nem é a falta de formados na universidade e sim o reduzido número de formados em áreas técnicas. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que no Brasil a proporção de engenheiros em relação ao total de universitários é de apenas 4,6%, enquanto essa relação é bem maior em países como Chile (13,7%), Japão (19%), Coreia do Sul (23,2%) e Malásia (45%). Na média da OCDE, a proporção é de 12%.

Senai

O presidente do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi, ressaltou, no mesmo evento, a importância do ensino médio profissionalizante. Ele lembrou que atualmente apenas 6,6% dos jovens brasileiros de 15 a 19 anos estão matriculados em escolas com esse foco. Esse porcentual, diz ele, é muito baixo se comparado à média de 42% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Japão, por exemplo, 55% dos jovens nesta faixa etária estão matriculados em escolas de ensino médio profissionalizante.

O dado brasileiro se mostra ainda mais preocupante, na avaliação de Lucchesi, quando confrontado com a necessidade de formar 7,2 milhões de profissionais de nível técnico no País até 2015. Lucchesi ressaltou a importância da valorização do ensino profissionalizante durante o transcorrer do ensino médio. Isso porque, de um universo de 24 milhões de jovens no Brasil, apenas 3,4 milhões chegam à universidade. "Todo o conteúdo de aprendizado é pensado como se todos fossem para a universidade, mas a maior parte não vai", criticou.

Essa situação, afirmou Lucchesi, faz com que 86% dos jovens brasileiros não cheguem à universidade e o jovem que vai para o mercado de trabalho fique quase sem nenhuma preparação. Lucchesi também criticou o peso que se dá à educação como fator de entrave ao crescimento econômico no País. Para ele, à frente da educação sempre aparecem outros fatores, como tributação e infraestrutura, por exemplo.

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