Crescimento pode antecipar alta dos juros

Banco diz que produção da indústria retoma nível pré-crise em fevereiro

Fernando Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

08 Dezembro 2009 | 00h00

Nas asas de previsões cada vez mais fortes para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, há também uma tendência dos analistas de antecipar e intensificar as projeções de alta da taxa básica de juros, a Selic, que hoje se acredita quase consensualmente que voltará a subir no próximo ano.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reúne-se hoje e quarta-feira, quando anuncia uma nova decisão sobre a Selic. Há consenso no mercado de que a taxa deve ser mantida no atual nível de 8,75%. Por outro lado, existe expectativa sobre possíveis referências ao aquecimento da economia no comunicado (divulgado imediatamente após a reunião) e, mais provavelmente, na ata, publicada cerca de uma semana depois.

"Estamos esperando uma comunicação que reflita condições de atividade mais fortes do que havia no último Copom (em outubro), mas não antecipo uma sinalização de mudança iminente de política monetária", avalia Rodrigo Azevedo, sócio do JGP Investimentos, e ex-diretor do BC.

O JGP, com uma projeção de crescimento de 5,5% em 2010, prevê o início da alta da Selic no segundo trimestre, com a taxa fechando o ano em 11,75%.

Em recente relatório, o banco ABC Brasil nota que a média móvel trimestral da produção industrial manteve um ritmo de crescimento de 1,8% nos últimos dois meses. Se essa velocidade permanecer, a produção industrial voltará aos níveis pré-crise já em fevereiro. O relatório lembra que "esse nível não era considerado de equilíbrio, mas acima do potencial".

Luis Otavio de Souza Leal, economista-chefe do ABC Brasil, ressalva, porém, que o "Banco Central pode apostar num cenário em que, no curto prazo, as importações fechem o gap, de forma que não haja pressão inflacionária, e, no médio e longo prazo, o investimento aumente a capacidade produtiva".

Já o Bradesco, em relatório de 1º de dezembro, no qual projetou crescimento do PIB de 6,1% em 2010, reviu sua previsão para o total de pontos porcentuais que a Selic deve subir no ciclo de alta, de 3,5 para 4. Assim, o Bradesco estima que alcance 12,75% em março de 2011, depois de fechar o ano de 2010 em 11,75%.

Significativo, porém, é que o relatório do banco indique que é mais provável que a atual projeção da primeira alta da Selic, para abril do ano que vem, seja antecipada para março do que adiada para junho.

Alexandre Pavan Póvoa, diretor executivo do Modal Asset Management, lembra que a possível saída do BC, em março, do presidente Henrique Meirelles, caso decida concorrer a um cargo eletivo, é mais um complicador da equação. "Não é uma questão política, mas técnica; não é comum um presidente de BC iniciar um processo de alta e sair".

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