Crescimento sem investimentos

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2009 caiu 0,2% (1,2%, no conceito per capita), resultado que se pode ter como aceitável no contexto da crise internacional, embora três outros países emergentes tenham apresentado resultados positivos: a China, 8,7%; a Índia, 6,1%; e o Peru, 0,9%. Trata-se, no entanto, do pior resultado desde 1993.

, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2010 | 00h00

O que deve ser destacado é como o Brasil conseguiu esse resultado sem seguir a receita keynesiana (prioridade aos investimentos), mas privilegiando o consumo das famílias e do governo, e sem que a indústria acompanhasse o aumento da demanda doméstica. Enquanto o consumo das famílias cresceu 4,1 % e o da administração pública, 3,7%, a indústria de transformação teve queda de 7%. O crescimento do consumo foi favorecido pela expansão do crédito, pela melhoria dos rendimentos (especialmente do salário mínimo) e por um maior déficit orçamentário. Este, no entanto, se deveu mais ao aumento das despesas de custeio do que dos investimentos.

A Formação Bruta de Capital Fixo, que em volume cresceu 13,4% em 2008, apresentou redução de 9,9% no ano passado, representando apenas 16,7% do PIB, ante 18,7% no ano anterior, o que se explica pela queda da taxa de poupança ? de 18%, em 2008, para 14,6%, no ano passado. Redução concentrada no setor público, que deu preferência aos gastos correntes, apesar de toda a publicidade em torno do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujos investimentos, por razões eleitoreiras, aumentaram apenas no final do ano.

Numa análise setorial se destacam as instituições financeiras, que apresentaram crescimento de 6,5% num ano de crise do sistema financeiro. Cumpre notar que a construção civil sofreu queda de 6,3%.

Embora o governo tivesse praticado uma política de incentivos fiscais, os impostos líquidos sobre os produtos tiveram recuo de apenas 0,8%.

Uma análise das Contas Nacionais em 2009 não pode deixar de assinalar a dinâmica que o crescimento apresentou. O PIB trimestral, que havia acusado queda de 0,9% no primeiro trimestre, em relação ao trimestre anterior, cresceu 1,4% no segundo, 1,7% no terceiro e 2,8% no quarto, indicando uma recuperação constante ao longo do ano, que se está mantendo também neste ano, e com um carry over positivo sobre os próximos meses, prenunciando, pois, um ano de 2010 muito próspero, mas que poderá favorecer tensões inflacionárias.

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