'Cria-se a segregação dentro da segregação'

Ex-aluno da rede pública e reprovado duas vezes na Fuvest, Leandro Martins, de 25 anos, é contra a adoção de cotas pela USP. Para ele, existem "métodos menos agressivos" de inclusão, como a ampliação do programa de bônus para quem veio de escolas públicas. O estudante também repudia a ideia de reservar vagas para pretos, pardos e índios. "Cria-se a segregação dentro da segregação."

CARLOS LORDELO, O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2012 | 04h31

Na primeira vez em que tentou entrar na USP, Leandro havia concluído o ensino médio dois anos antes, em Caieiras, na Grande São Paulo. Acertou 38 das 90 questões da prova objetiva da Fuvest. Acabou fazendo o curso de Tecnologia em Comércio Exterior da Uninove. Formou-se em 2010 e em agosto de 2011 voltou ao Cursinho do XI, no centro da capital. "Não desisti do sonho de passar na USP."

Renovação. No último vestibular, tirou 60 pontos - sem bônus -, mas foi reprovado na segunda fase da Fuvest. Leandro quer estudar Engenharia na Escola Politécnica, motivado pela experiência como aprendiz na indústria.

Neste ano, deixou o trabalho e dedicou-se integralmente aos livros. "Fiz mais exercícios e provas antigas, além de ler todos os livros da lista", diz. O resultado do esforço apareceu já na primeira fase da Fuvest, em que fez 72 pontos. "Agora estou mais confiante", diz.

Para Leandro, embora a USP seja "elitista", o ingresso de alunos da rede pública por meio de cotas vai prejudicar a excelência do ensino. Ele diz que, se não passar desta vez, não vai querer ser identificado como cotista no próximo vestibular.

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