Criação de vagas formais cai a menos da metade em 2012

O mercado de trabalho abriu em fevereiro 150.600 vagas com carteira assinada, 57 por cento menos do que em igual mês de 2011, indicando forte desaceleração na oferta de emprego formal. O desempenho sinaliza o baixo crescimento da economia no início de 2012.

REUTERS

16 Março 2012 | 15h54

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), comparados aos de fevereiro de 2011, mostram redução na oferta de emprego em todos os setores pesquisados. O setor de serviços, que em fevereiro do ano passado gerou pouco mais de 134 mil postos, abriu no mês passado 93.170 vagas.

A indústria da transformação, que havia registrado contratação líquida de 60 mil empregados, neste ano baixou expressivamente a diferença entre admissões e demissões, para 19.609.

O desempenho negativo do comércio também contribuiu para a queda do emprego. Enquanto em fevereiro do ano passado as admissões superaram as demissões em 17.394 postos, no mês passado houve um total de 6.645 dispensas líquidas no setor.

O setor de construção civil, cuja oferta de trabalho se mostrava aquecida, perdeu fôlego no mês passado. O número de postos abertos no caiu de 30.701 em fevereiro de 2011, para 27.811 no mês passado.

A administração pública também mostrou desempenho inferior ao do ano passado. Em fevereiro de 2011, as contratações de servidores superaram as demissões em pouco mais de 15 mil vagas. Em igual mês deste ano, a criação de empregos no setor somou 14.694 postos.

O ministro interino do Trabalho, Paulo Roberto Pinto, buscou minimizar a dimensão do enfraquecimento do mercado de trabalho. "O Brasil continua gerando empregos. Estamos mantendo o ritmo de expansão gradual, mas o importante é que, a cada mês, aumentamos a inserção de trabalhadores no mercado de trabalho", afirmou o ministro, em nota.

O documento apresentado pelo ministério faz rápida menção à desaceleração na oferta de emprego ante o desempenho dos últimos anos. "O resultado (de fevereiro) dá continuidade à trajetória de expansão do emprego, embora assinale redução no ritmo de crescimento quando comparado com os saldos dos mesmos meses de 2011 e 2010", consta do documento divulgado nesta sexta.

FRAGILIDADE

Em janeiro foram criadas 118.895 postos de trabalho, no pior resultado para o mês em três anos.

Em 2011 todo, o arrefecimento da atividade econômica teve impacto direto na geração de emprego, que foi 25 por cento menor do que em 2010 e ficou abaixo da expectativa do próprio governo.

O ano passado terminou com a abertura acumulada de pouco mais de 1,9 milhão de postos de trabalho com carteira assinada. No auge do otimismo, o Ministério do Trabalho chegou a falar que poderiam ser criados 3 milhões de empregos. O resultado final ficou aquém mesmo da última previsão, que era de 2,4 milhões de postos.

O fraco desempenho revelado pelos números do Caged se soma a à queda do emprego industrial em janeiro, apresentada pelo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última segunda-feira. Segundo o IBGE, emprego na indústria brasileira diminuiu 0,3 por cento em janeiro sobre dezembro e 0,5 por cento na comparação com igual mês de 2011.

(Reportagem de Tiago Pariz e Luciana Otoni)

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