Criadores investem no zebu leiteiro

Melhoramento genético de raças como o gir leiteiro ajuda a aumentar produtividade média dos rebanhos brasileiros

Niza Souza, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2008 | 01h41

Há 50 anos, quando começou a investir no melhoramento de seu gado gir leiteiro, o produtor de leite Gabriel Andrade, da Fazenda Calciolândia, em Arcos (MG), não imaginava que se tornaria referência na raça. No início do mês, a fêmea Prateada TE da Cal, uma das suas principais reprodutoras, foi a vencedora do 30º Concurso Leiteiro da Expozebu, com média de 13,619 quilos de leite por ordenha, quase 45 quilos por dia. E não foi a primeira vez que um animal da Calciolândia venceu o concurso.''Quando começamos a trabalhar com genética os animais produziam mil quilos de leite por lactação. Hoje, a média de produção é de 4 mil quilos de leite por lactação. Isso dá uma média de 14 quilos de leite por vaca/dia'', diz Andrade, destacando que essa produtividade é conseguida com a criação exclusivamente a pasto. Os animais de elite, como a vaca Prateada, são criados em confinamento e por isso produzem mais.Para chegar a resultados tão positivos com uma raça zebuína, que, teoricamente, tem potencial leiteiro inferior às raças européias, como a holandesa, criadores como Andrade investem em tecnologias de reprodução, da inseminação artificial à transferência de embriões. ''Compensa, porque, além da renda com a venda do leite, vendemos tecnologia para quem quer melhorar a qualidade de animais mestiços'', afirma.Antigamente, diz o superintendente-genético da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Carlos Henrique Machado, os criadores não vendiam as boas fêmeas, que davam apenas uma cria por ano. Hoje, com tecnologias de fertilização in vitro (FIV) e transferência de embriões (TE), é mais fácil multiplicar animais melhoradores. ''A genética está cada vez mais democrática.''MESTIÇOSBasicamente, o material genético de animais zebuínos com aptidão leiteira (além do gir, há no País as raças gir-mocha, sindi e guzerá) é destinado para o melhoramento dos animais mestiços, como girolando, cruzamento das raças gir e holandês. ''O fato de o gir ser uma raça zebuína traz algumas características vantajosas, como rusticidade e boa adaptação ao clima brasileiro, além de responder bem ao manejo a pasto e ter baixo custo de produção'', diz Machado.Para ele, os cruzamentos industriais, como o girolando, são a melhor opção para produtores de leite, justamente pela resistência e baixo custo de produção. ''Mas para que esse cruzamento resulte em animais produtivos é preciso investir no melhoramento genético das raças zebuínas'', afirma.

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