Crianças que seriam levadas do Chade não eram órfãs, diz ONU

Entidade francesa que queria levar crianças para Europa foi presa na África.

BBC Brasil, BBC

01 de novembro de 2007 | 11h20

Um relatório de duas agências da ONU e da Cruz Vermelha divulgado nesta quinta-feira afirma que a maioria das 103 crianças africanas que um grupo francês planejava levar do Chade para a Europa tinha famílias.O relatório diz que 91 das crianças vieram de um lar com "pelo menos um adulto... considerado um dos pais" e que, portanto, elas não eram órfãs, como alegavam os franceses.O documento também afirma que a maioria das 21 meninas e 82 meninos, com idades entre um e dez anos, veio de vilarejos no Chade, perto da fronteira com o Sudão e não das zonas de conflito de Darfur, no Sudão, contrariando outra alegação dos franceses.Segundo a correspondente da BBC em Genebra, Imogen Foulkes, as agências que elaboraram o relatório estão tentando estabelecer um histórico para cada criança desde que as autoridades do Chade impediram a organização francesa Arche de Zoé de levá-las para a Europa.Em entrevistas realizadas pela Cruz Vermelha e autoridades da agência de refugiados da ONU e da Unicef, 91 crianças disseram que estavam vivendo com suas famílias ou com pelo menos um adulto responsável.O resultado destas entrevistas coloca em dúvida as alegações da Arche de Zoé, de que sua intenção era melhorar a vida de órfãos que vivem na região de conflito de Darfur, no Sudão, país vizinho.As agências que elaboraram o novo relatório afirmam que a maioria das crianças parece ter vindo de vilarejos no próprio Chade, próximos da fronteira.As agências da ONU e a Cruz Vermelha afirmam que querem levantar informações o mais rápido possível e oferecer apoio emocional e psicológico às crianças, para que elas possam se reunir às suas famílias e voltar a uma vida normal.Um juiz no Chade acusou esta semana nove franceses da organização Arche de Zoé por seqüestro e fraude.Sete espanhóis que trabalhavam como tripulantes do avião onde as crianças seriam embarcadas e dois homens do Chade também estão sendo processados por cumplicidade.O vôo fretado pela organização francesa Arche de Zoé foi detido por autoridades do Chade na quinta-feira da semana passada na cidade de Abeche.O presidente do Chade, Idriss Deby, acusou a Arche de Zoé de "seqüestro puro e simples". A Arche de Zoé é uma entidade criada em dezembro de 2004 para ajudar as pessoas afetadas pelos tsunamis na Ásia. Após os tsunamis, a entidade passou a atuar em Darfur e regiões próximas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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