Criar jacaré preserva a espécie e é bom negócio

Propriedade em Arthur Nogueira (SP) contribuiu para tirar o jacaré-de-papo-amarelo da lista de extinção

Rose Mary de Souza, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2007 | 01h32

Em 1997, o veterinário Glenn Collard aderiu a um projeto de preservação do jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), espécie que constava da lista de animais ameaçados de extinção, principalmente por causa da destruição de seu hábitat natural, a Mata Atlântica, e a caça predatória para consumo da carne e do couro.Em 2005, Collard e os parceiros puderam comemorar os primeiros resultados: a retirada do réptil da zona de risco de extinção e a autorização, pelo Ibama, para o manejo destinado à venda de matrizes e da carne e do couro do animal.Hoje o veterinário cuida de dois criadouros certificados de jacaré-de-papo-amarelo. Um fica em Barra Mansa (RJ) e outro em Artur Nogueira, região de Campinas (SP). A meta, além de preservar a biodiversidade genética da espécie, é obter lucro com a atividade, vendendo a carne e a pele do animal com registro de origem e carimbo de fiscalização sanitária. A atividade contempla, também, o ecoturismo e a educação ambiental.No sítio em Artur Nogueira, são criados 14 casais adultos do jacaré-de-papo-amarelo. Em outros recintos, filhotes com até 4 anos convivem em locais que imitam lagoas, todos com chip de identificação.''''PRAIAS'''' DE CIMENTOOs tanques são de cimento e com água suficiente para cobrir o corpo do bicho. Nas ''''praias'''' cimentadas eles tomam banho de sol. Pelos cantos, amontoados de folhas secas indicam os ninhos, bem próximos a touceiras de citronela, que espantam as moscas. A fêmea põe até 40 ovos, uma vez por ano. Os tanques são circundados por muros de 1,5 metro, para impedir a fuga e evitar que animais domésticos virem comida de jacaré.Os animais são alimentados por carcaças de frango e suíno. ''''É um animal agressivo, que está no topo da cadeia alimentar e é capaz de girar 360 graus em um bote'''', diz Collard, mostrando uma cicatriz na mão por causa de um descuido.A carne do jacaré é vendida para churrascarias. O quilo do jacaré limpo é vendido, em média, por R$ 25. Outra fonte de renda é o couro. O material é disputado por fabricantes de calçados, bolsas, roupas exóticas e artesanato em geral. O valor pago ao produtor, por peça única já curtida, é de R$ 200.

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