Crise de liquidez leva Braskem a adiar projetos

A crise de liquidez no mercado financeiro e a perspectiva de que o segmento de petroquímica entre em um ciclo de baixa a partir de 2009 vão levar a Braskem, maior companhia petroquímica da América Latina, a adiar projetos de investimentos. A empresa anunciou nesta quarta-feira o adiamento do projeto de termoplásticos na Venezuela, que poderá sofrer atrasos de até um ano. Segundo o presidente da Braskem, Bernardo Gradin, "como o financiamento é uma premissa para o avanço do projeto, a crise de liquidez alterou alguns prazos", disse em encontro com a imprensa. A expectativa da companhia é concluir o pacote de financiamento no segundo semestre de 2009, enquanto o prazo anterior era de finalização em 2008. "O projeto de polietileno talvez sofra outro atraso, mas ainda temos expectativa de que o projeto de polipropileno inicie operação em 2012, talvez com um trimestre ou dois atrasados, enquanto o de polietileno já está adiado para 2013", informou o presidente. Segundo o diretor financeiro, Carlos Fadigas, as fontes de financiamento "continuam sendo as mesmas." A empresa vai buscar financiamento de crédito à exportação com Itália e Alemanha, além de bancos de desenvolvimento da região das Américas --BID e Corporação Andina de Fomento. "Além disso, BNDES e eventualmente bancos comerciais também entrariam nesse pacote, mudou só o cronograma", destacou. O executivo ainda explicou que os projetos vão ser financiados em um modelo "onde o endividamento é assumido pelo projeto e não pela Braskem, por isso não há nenhum impacto na alavancagem da Braskem." EXPANSÃO ADIADA O presidente da Braskem também informou que a expansão da planta de polipropileno de Camaçari (BA) ainda está em avaliação, "mas a expectativa (de conclusão) já foi postergada de 2012 para 2013." Segundo Gradin, "provavelmente outros projetos sofrerão atrasos, o que não significa que não vamos nos comprometer com eles ao decorrer dos anos." O executivo explicou que a definição sobre todos os investimentos e o montante de recursos a serem aplicados em 2009 devem ser detalhados pelo Conselho de Administração em dezembro deste ano. Gradin afirmou que espera um ciclo de baixa no setor petroquímico a partir do segundo semestre de 2009. Segundo ele, a companhia trabalha com a estimativa de que o PIB do Brasil cresça entre 2,5 por cento e 3 por cento, mas a economia mundial deve sofrer recessão, sobretudo Estados Unidos e Europa. Com a retração na demanda mundial e a entrada de novos projetos petroquímicos no Oriente Médio, acirrando a competição, a companhia prevê a chegada do ciclo de baixa. "O foco da Braskem permanece no mercado doméstico e regional, com atenção especial sobre a competitividade global, diante das novas plantas no Oriente Médio", disse o executivo. "Mas a expectativa é de que o mercado brasileiro continue crescendo." Gradin afirmou ser difícil prever quanto tempo deve durar o ciclo de baixa, "mas costuma ser entre dois e cinco anos," afirmou. O plano de investir 1 bilhão de reais no Pólo Petroquímico de Triunfo (RS) está mantido, mas "os projetos podem ser substituídos de acordo com a conveniência da Braskem," ressaltou Fadigas, diretor financeiro. Dentro desse montante está o investimento na primeira planta de termoplásticos "verdes", feitos a partir de matéria-prima vegetal, que deve consumir quase metade do investimentos. Gradin informou aos jornalistas não ter expectativa de que esse projeto seja adiado, por ser estratégico e pioneiro, mas ele "depende da solução da equação entre o retorno esperado ajustado às propostas de financiamento", afirmou. (Edição de Denise Luna)

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