Crise do capitalismo anima Fórum Social Mundial no Pará

Apesar da chuva típica da Amazônica, os ensopados participantes dançaram, cantaram e tocaram tambores

STUART GRUDGINGS, REUTERS

27 Janeiro 2009 | 21h36

Milhares de ativistas, entusiasmados com a crise do capitalismo global, percorreram na terça-feira as ruas de Belém no início do 9. Fórum Social Mundial, novamente sob o slogan "outro mundo é possível". Veja também:Cerimônia dá início ao Fórum Social MundialMarcha marca abertura oficial do Fórum Social MundialFórum Social Mundial reúne 90 mil em Belém Galeria de fotos do Fórum Social Mundial Apesar da chuva típica da Amazônica, os ensopados participantes dançaram, cantaram e tocaram tambores, fazendo justiça às reportagens locais que haviam anunciado o evento como sendo um "Woodstock tropical". O fórum, que reúne grupos tão díspares quanto comunistas, ambientalistas e curandeiros, além de membros de diversos governos, desta vez ocorre em Belém, em parte porque os organizadores querem chamar a atenção do planeta para a destruição da Amazônia. Muitas vezes qualificado de alienado em relação à realidade global, o evento de seis dias ganha uma relevância adicional nesta edição por causa da crise econômica global, que obrigou até os Estados Unidos, maior bastião do capitalismo financeiro, a injetar dinheiro público na economia. "Novos governos exigem novas consciências, novas economias exigem novas consciências. Eu gostaria de ver (neste fórum) algo fundamental para conter a crise mundial", disse Cho Tab Khen Zambuling, líder espiritual no Chile. Esse homem de 61 anos, de barba branca, longas túnicas brancas e carregando um sino de vento para orações, já foi conhecido como Alfredo Sfeir-Younis, diretor do Banco Mundial. Ele agora dirige o Instituto Zambuling para a Transformação Humana. Este evento anual surgiu em 2001 em Porto Alegre, mas a partir de 2004 passou a ser itinerante. Nesta edição, espera-se a participação de 100 mil pessoas. Cinco líderes de países da América Latina - região que registrou uma guinada política à esquerda nos últimos anos - devem comparecer ao encontro do Pará, que a exemplo de edições anteriores é programado para coincidir com o Fórum Econômico Mundial, em Davos, encontro de empresários, banqueiros e autoridades na Suíça. Na passeata de abertura, pacifistas japoneses com leques se misturaram a índios amazônicos em trajes típicos e a membros do PC do B com suas bandeiras vermelhas e o emblema da foice-e-martelo. Sambistas e vendedores de cerveja ajudaram a manter o clima carnavalesco.

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