Crise do lixo em Nápoles se agrava em meio a protestos

Bombeiros registraram 75 incêndios causados por moradores revoltados.

Assimina Vlahou, BBC

19 de maio de 2008 | 17h20

Após mais uma noite em que a população revoltada incendiou pilhas de lixo espalhadas pela cidade de Nápoles, a União Européia alertou a Itália, nesta segunda-feira, para os altos riscos que a população local corre se as 3,5 mil toneladas de dejetos espalhadas pela cidade não forem recolhidas com urgência. A Comissão para o Meio Ambiente da UE já tinha entrado com um processo contra a Itália na Corte Européia no começo de maio por causa da crise do lixo. "Não podemos esperar a sentença da Corte, as autoridades italianas devem agir rapidamente para resolver uma situação que apresenta altos riscos para a saúde pública", disse a porta-voz da comissão, Bárbara Hellferich, falando à agência de notícias Ansa. A situação voltou a se agravar no fim de semana porque houve uma interrupção do carregamento de lixo para a Alemanha; a quantidade de lixo espalhada pela cidade chegou a 5 mil toneladas no sábado. Revoltadas, algumas pessoas atearam fogo às pilhas de lixo que se acumulavam pela cidade. Apenas entre domingo e segunda-feira, 75 incêndios foram registrados. Em outros protestos, linhas ferroviárias foram bloqueadas. RatosO presidente da ordem dos médicos de Nápoles, Giuseppe Scalera, confirmou que a situação sanitária é grave. Ele disse ao jornal La Repubblica, que "o número de ratos está aumentando, com risco de transmissão de doenças como a leptospirose, além dos problemas provocados pela dioxina emitida pelo lixo queimado".Depois da colheita no fim de semana, a empresa que recolhe o lixo da cidade informou que atualmente a quantidade de dejetos espalhados pelas ruas é de 3,5 mil toneladas. A crise do lixo em Nápoles é uma das prioridades do novo governo, que toma posse nesta quarta-feira. A primeira reunião do conselho de ministros será realizada em Nápoles, conforme anunciado pelo novo primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, assim que ele ganhou as eleições em abril passado. Nesta reunião, o premiê deve anunciar as medidas que seu governo pretende tomar para resolver o problema do lixo, antes que o calor aumente, o que poderia agravar a situação sanitária. Entre as medidas previstas estariam a criação de novos aterros sanitários e lixões e a construção de depósitos de tratamento de lixo, além da participação do Exército na retirada dos dejetos das ruas. O Exército já tinha sido utilizado para ajudar a recolher parte das 250 mil toneladas de lixo acumuladas em Nápoles e em outras cidades da região em janeiro passado, no auge da emergência. Em vista da primeira reunião do governo de Silvio Berlusconi na cidade, diversos grupos napolitanos anunciaram manifestações, bloqueios de estradas e ferrovias, além de uma passeata, para protestar contra o problema do lixo.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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