Crise habitacional no Haiti por terremoto deve durar até 2012

Centenas de milhares de desabrigados sobreviventes do terremoto de 2010 no Haiti deverão continuar morando em barracas até o fim deste ano, por causa da lentidão dos esforços de reconstrução, informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) na sexta-feira.

REUTERS

11 de fevereiro de 2011 | 16h03

A advertência feita pela organização, que tem sede em Genebra, reflete a preocupação de que o trabalho de reconstrução nesse país pobre do Caribe possa estar perdendo força, enquanto minguam o interesse e o financiamento dos doadores em meio à instabilidade política que se seguiu às recentes eleições.

Autoridades da OIM afirmaram que, embora o número de desabrigados vivendo em acampamentos tenha caído de 1,5 milhão em julho para 810 mil em janeiro, os atuais planos do governo do Haiti e de seus parceiros não fornecerão moradia suficiente para resolver a crise dos desabrigados este ano.

Centenas de milhares de haitianos provavelmente ainda estarão morando em acampamentos para desabrigados até o fim de 2011", disse Luca Dall'Oglio, chefe da missão da OIM no Haiti, uma organização intergovernamental com 132 membros.

"Muitos daqueles que já deixaram os acampamentos podem não ter encontrado uma solução de moradia duradoura, vivendo com amigos e a família, ou em barracas nos seus bairros de origem", acrescentou ele, num briefing da OIM sobre a situação da moradia no Haiti.

O terremoto devastador que matou mais de 300 mil pessoas no Haiti foi seguido por uma epidemia de cólera, pela passagem de um furacão que provocou enchentes e pela instabilidade política deflagrada por uma eleição presidencial e legislativa caótica em 28 de novembro.

Depois de semanas de acusações de fraude e de protestos, um segundo turno decisivo foi marcado para 20 de março.

A OIM afirmou que muitas agências parceiras que trabalham na administração dos acampamentos no Haiti estavam reduzindo suas operações, enquanto enfrentavam dificuldades financeiras crescentes e redução no financiamento.

Mais da metade dos sobreviventes desabrigados pelo terremoto vivem em acampamentos montados em terrenos particulares e ao menos 99 de um total de 1.152 estão sob ameaça de despejo pelos proprietários.

(Reportagem de Joseph Guyler Delva e Allyn Gaestel em Porto Príncipe)

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