Crise humanitária da Síria tende a piorar, diz Cruz Vermelha

A situação humanitária na Síria provavelmente vai piorar, disse o chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Jakob Kellenberger, nesta segunda-feira, enfatizando a necessidade de "medidas urgentes" para aliviar os efeitos de um ano de derramamento de sangue.

STEVE GUTTERMAN, REUTERS

19 Março 2012 | 12h02

Kellenberger foi a Moscou pedir que a Rússia ajude a convencer o governo sírio a permitir mais acesso de ajuda humanitária para os sírios presos em zonas de combate.

O CICV tem pressionado por duas horas diárias de cessar-fogo entre as forças governamentais e rebeldes para permitir a entrega de ajuda e remoções médicas.

Os laços estreitos da Rússia com a Síria fazem com que esse seja um dos poucos países que ainda têm alguma influência sobre o presidente Bashar al-Assad. Mas Moscou está cada vez mais isolado em seu apoio ao governo sírio, cujas forças já mataram mais de 8.000 pessoas em um ano de violência, de acordo com a Organização das Nações Unidas.

"Nossa avaliação, infelizmente, é a de que a situação humanitária provavelmente vai se deteriorar", disse Kellenberger ao ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, no início das conversações.

Kellenberger afirmou que queria compartilhar a avaliação da organização e as convicções da Rússia "sobre o que são as medidas mais urgentes a serem tomadas no campo humanitário".

A Rússia - bem como a China - protegeu Assad ao vetar duas resoluções do Conselho de Segurança da ONU condenando o seu governo e continuou fornecendo armas para a Síria como parte de contratos, mas manifestou o seu apoio aos esforços internacionais de ajuda humanitária.

Em uma rara demonstração de união com as potências ocidentais, Rússia e China se juntaram a outros membros do Conselho de Segurança da ONU em 1o de março para expressar "profunda decepção" pelo fracasso da Síria em permitir que a chefe de ajuda humanitária da ONU, Valerie Amos, visitasse o país e disse que ela deveria ter permissão imediata.

Amos desde então foi autorizada a entrar na Síria, mas pediu livre acesso para ajuda humanitária.

O CICV e o Crescente Vermelho Árabe Sírio conseguiram chegar a algumas áreas atingidas pelos combates, oferecendo a milhares de pessoas alimentos, medicamentos e outros itens essenciais, mas Kellenberger disse que muito mais acesso é necessário.

"Uma interrupção diária na luta por um período de pelo menos duas horas continua sendo essencial para que remoções médicas sejam realizadas com segurança e para a ajuda chegar às pessoas vulneráveis rapidamente", disse ele em comunicado no domingo.

"O CICV está pedindo um compromisso claro de todos os interessados para estas pausas nos combates."

Mais conteúdo sobre:
SIRIAPIORACRUZVERMELHA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.