Crise que sacode o mundo é política, diz Cristina Kirchner

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, afirmou na quarta-feira que a crise que ameaça o mundo não é econômica e financeira, e sim política, já que as decisões estão nas mãos de poucos países. Cristina salientou que em dois dias se realizaram quatro cúpulas no Brasil --essa e outras do Mercosul, Unasul e Grupo do Rio --, o que revela "o principal problema que temos como espaço político ...que é carecer de um sistema de decisão", como têm outras organizações e países. A Cúpula América Latina e Caribe, convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve como principal propósito analisar a crise financeira global e discutir ações para proteger a região. Mas Cristina disse que "esta não é uma crise econômica e financeira, creio que é uma crise de ordem política com um sistema no qual um grupo muito reduzido de países decidia pelo resto do mundo, paralelamente a todos os organismos multilaterais." A presidente argentina citou como exemplo a ONU e o FMI, cujas resoluções "devem ser respeitadas pelos mais fracos" e ignoradas pelos "países mais poderosos". "É isso que resulta intolerável", acrescentou. Referindo-se às exigências do FMI, disse que "jamais foram aplicáveis à primeira economia do mundo, que ainda tem a vantagem de ser a moeda de referência". "O problema é profundamente político, porque existe um duplo padrão inadmissível e cada vez mais visível em um mundo no qual, graças à globalização das comunicações, estas coisas se percebem com muita rapidez", afirmou. (Reportagem de Julio Villaverde)

REUTERS

17 Dezembro 2008 | 15h35

Mais conteúdo sobre:
CUPULA SAUIPE KIRCHNER*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.