Cristina Kirchner deve visitar Brasil antes de eleição

Candidata à Presidência da Argentina fala do Brasil como modelo de país.

Marcia Carmo, BBC

20 Julho 2007 | 22h28

A primeira-dama e senadora argentina Cristina Fernández de Kirchner, de 54 anos, deverá visitar o Brasil antes das eleições presidenciais de 28 de outubro, num sinal claro de maior aproximação com o país. O governo brasileiro a convidou para esta visita, ainda sem data marcada, num momento em que Cristina (como ele prefere ser chamada) viaja por diferentes países promovendo sua imagem de presidenciável. Neste fim de semana, ela embarca para a Espanha, acompanhada de assessores e de integrantes do governo do presidente Néstor Kirchner. Em breve, os dois viajarão juntos para o México. Na quinta-feia, no lançamento de sua candidatura à Casa Rosada (sede da Presidência argentina), Cristina falou do Brasil como modelo de país. "Um modelo de desenvolvimento econômico, com uma burguesia empresarial forte e indústrias importantes. Olhem o caso da Embraer, que compete com produtos dos Estados Unidos", disse. Se for eleita no primeiro turno, como indicam as pesquisas de intenção de votos, Cristina deverá intensificar ou, no mínimo, manter a relação com o Brasil, considerada hoje "num excelente momento" pela diplomacia brasileira. Num sinal de que pretende fortalecer essa relação da Argentina com o Brasil, a presidenciável só convidou o embaixador brasileiro na Argentina, Mauro Viera, para estar ao lado do presidente, ministros, governadores e parlamentares, sentados nas primeiras filas da platéia do Teatro Argentino, onde ela lançou sua candidatura. Nenhum outro representante diplomático estrangeiro esteve entre os convidados para a noite em que Cristina defendeu o governo Kirchner e disse que quer "aprofundar" esta era de mudanças no país. Ela falou em mais "institucionalidade" para a Argentina, "direitos humanos" e "diálogo com empresários e sindicalistas". Para diferentes analistas ouvidos pela BBC Brasil, Cristina tende a inspirar-se nas administrações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente do Chile, Michelle Bachelet. "Ela não é tão pragmática quanto Lula, mas admira o caminho escolhido por ele para o Brasil. Ela também admira e tem afinidade com Bachelet, com quem tem identidade ideológica", disse à BBC Brasil Mariano Flores Vidal, da consultoria IBCP, que atende a bancos e empresas da Argentina. Para ele, se eleita, Cristina vai preferir se diferenciar do estilo e dos modelos de governo dos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia. Na opinião do cientista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos União para a Nova Maioria, a política externa de um possível governo Cristina será o principal diferencial entre a gestão dela e do marido. Os analistas econômicos e do mercado financeiro são praticamente unânimes em afirmar que Cristina, como candidata, sinaliza que não deverá mudar o rumo econômico atual, mantendo a desvalorização do peso frente ao dólar (cerca de três pesos por cada moeda americana) e medidas que sustentem a expansão da economia salarial. "Mas seja qual for o governo eleito, terá pela frente uma série de desafios que serão deixados pela administração atual, como crise energética e inflação", afirmaram Flores Vidal e o também economista Orlando Ferreres, da consultoria Ferreres e Associados. A pouco mais de três meses das eleições, o presidente Néstor Kirchner é o principal cabo eleitoral da mulher. Nesta sexta-feira, pela terceira vez na semana, ele pediu votos para ela. "Cristina será um novo amanhecer da pátria. A Argentina será conduzida por uma mulher e Cristina fará um governo melhor do que o que podemos realizar", disse Kirchner. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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