Cristina Kirchner nega manipulação de números da inflação

Candidata a presidente diz que dinâmica de preços em dados oficiais 'é até razoável'.

Marcia Carmo, BBC

24 de outubro de 2007 | 19h20

A quatro dias das eleições presidenciais argentinas, a primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner, candidata da Frente para a Vitória, rompeu o silêncio e respondeu às perguntas sobre alguns dos problemas que preocupam os argentinos, como a alta dos preços. Cristina defendeu os dados oficiais da inflação do governo do presidente Néstor Kirchner, durante entrevista nesta quarta-feira à rádio La Red, de Buenos Aires. A oposição e funcionários do Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Preços, equivalente ao IBGE) acusam o governo de "manipular" os dados sobre a alta de preços. "A inflação do Indec é a real", respondeu. "Com um crescimento econômico recorde, registrado nestes últimos anos, esta dinâmica de preços é até razoável", afirmou. Esta foi a primeira entrevista de Cristina a um veículo de imprensa argentino desde que lançou sua candidatura, há três meses.Na entrevista, em seu escritório na Casa Rosada (sede da Presidência da República), onde mantém uma sala próxima a do presidente nos quatro anos da gestão Kirchner, Cristina disse que os argentinos não devem se "preocupar" com a inflação, mas sim "ocupar-se" dela. A candidata também dirigiu críticas diretas à oposição: "Na Argentina, estão as cifras do Indec e as da oposição, que não podem ser comprovadas", afirmou. Pelos dados oficiais, a inflação na Argentina neste ano é de cerca de 8%. Pelas estimativas da oposição, ela seria mais que o dobro. "Estamos a poucos dias das eleições, e a oposição tenta instalar temas", disse. Quando perguntada sobre a falta de segurança pública, um dos assuntos que hoje, segundo diferentes pesquisas de opinião, mais preocupam os argentinos, a primeira-dama respondeu: "Esse assunto não pode ser tratado separadamente do modelo econômico nem do plano de educação, saúde e justiça". Cristina disse ainda que é preciso combater a pobreza e promover uma distribuição de renda "justa". A presidenciável justificou seu estilo, avesso à imprensa, ao dizer que não pretende passar o tempo inteiro dando entrevistas. "Além disso, que quem pergunte tenha conhecimento suficiente para ter uma posição objetiva", disse. "Não vou ser uma líder política que vai ficar falando todos os dias com os veículos de comunicação", avisou. Cristina também acusou a imprensa de, "às vezes, ter um comportamento corporativo" e concluiu: "A liberdade de expressão não é só dos jornalistas, mas de todos os cidadãos." Antes desta entrevista, Cristina havia concedido entrevistas à rede de televisão americana CNN, no exterior, e à revista Times.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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