Cristina Kirchner pede fim de protestos para dialogar com ruralistas

Panelaços contra governo e em apoio a setor rural entram no 3º dia em Buenos Aires.

Marcia Carmo, BBC

27 de março de 2008 | 21h40

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu o fim dos protestos do setor rural, que completaram 15 dias nesta quinta-feira, para que o diálogo possa ser aberto entre o governo e representantes dos ruralistas."Peço, humildemente, como presidenta de todos os argentinos e em nome dos argentinos, que suspendam o protesto para dialogar", disse Crsitina Kirchner, em um comício realizado em Buenos Aires e transmitido ao vivo pelas principais emissoras de TV do país. "Não se pode negociar se não são suspensas as iniciativas que extorquem o país." Pouco antes, no mesmo discurso, Cristina Kirchner afirmou que é "muito difícil dialogar com pistola na cabeça, principalmente na democracia". Ela se referia ao protesto rural que já provoca desabastecimento nos supermercados de diversos pontos da Argentina e à ameaça dos ruralistas de manter a greve por tempo indeterminado. Cristina Kirchner afirmou ainda que pela primeira vez, em cem anos, o país registrará cinco anos de "crescimento sustentável". Ela disse que o governo "não está contra os pequenos produtores", sinalizando que poderia ser dado tratamento diferenciado à cobrança dos impostos às exportações do setor agrícola - medida que afeta principalmente a soja e provocou a onda de protestos. "Não é uma política anti-soja, mas pró-povo, pró-Argentina, pró-campo. (...) E essa forma é a única que temos de erradicar a fome no país. (...) Estamos discutindo um modelo de país. (...) Meu objetivo é a igualdade social", disse.A presidente criticou ainda os panelaços realizados durante semana, afirmando que não são espontâneos. ReaçãoNo palanque com Cristina Kirchner estavam ministros, secretários, líderes parlamentares e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner.Enquanto a presidente falava, emissoras de TV mostravam também a reação dos ruralistas. Os produtores rurais escutavam as palavras de Cristina Kirchner e acenavam que manteriam a paralisação, que inclui o bloqueio das estradas, principalmente para caminhões carregados com alimentos. Quando a presidente terminou seu discurso, líderes do protesto nas localidades de Gualeguaychú, na província de Entre Ríos, e São Pedro, na província de Buenos Aires, decidiram manter a manifestação. Gualeguaychú mantendo bloqueio total das estradas, e São Pedro parcialmente. Nos dois casos, eles querem a suspensão dos novos impostos às exportações do setor antes de encerrar a greve. PanelaçosOutra reação, também quase imediata, foram os panelaços e buzinaços, pelo terceiro dia consecutivo, nos bairros de classe média e classe alta da capital federal, Buenos Aires. Mas a expectativa, segundo o vice-presidente da Sociedade Rural Argentina, Hugo Biolcati, é de que o diálogo seja aberto depois do discurso de Cristina. "Foi um discurso bem diferente do de terça-feira. Desta vez, foi um chamado ao entendimento. Merece ser tratado com toda a responsabilidade. Na minha opinião, o discurso abre o diálogo", disse. Na terça-feira, Cristina tinha criticado o setor rural. Quando questionado sobre a decisão dos líderes do protesto em Gualeguaychú, Biolcati respondeu: "Eu sou membro de uma das entidades, mas são quatro". Estas entidades estimam que são realizados cerca de 400 protestos nas estradas argentinas. Segundo Biolcati, deverá ser realizada uma reunião nas próximas horas para definir se o protesto será suspenso ou não. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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