Crítica aos gráficos do Enem

Após mergulhar em dez edições do exame, professor considera simplista a abordagem do tema mudanças climáticas

Carlos Lordelo, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2011 | 00h00

Edson Roberto de Souza, de 39 anos, procurou entre 630 questões do Enem as que, apoiadas em gráficos, falavam sobre aquecimento global e mudanças climáticas. Encontrou 4 e não gostou do que viu: descuido na citação das fontes das imagens, gráficos usados como enfeites das perguntas e o mais grave, para ele, a caracterização do homem como único culpado pelo aquecimento global.

"Do ponto de vista geológico, o clima é bastante complexo. É um sistema influenciado por vários fatores. A emissão de gás carbônico pelo homem é apenas um deles", diz Souza, autor da dissertação de mestrado Leituras, Limites e Possibilidades de Gráficos do Enem no Contexto do Aquecimento Global e das Mudanças Climáticas. O mestrado foi defendido em novembro no Instituto de Geociências da Unicamp.

O autor avaliou o Enem aplicado entre 1999 e 2008, um ano antes da transformação do exame no maior vestibular do País. "Preferi ficar apenas com as edições antigas para não errar na interpretação dos dados."

Professor de física em escolas e faculdades, Souza decidiu analisar como o Enem lida com o assunto porque utiliza gráficos nas suas aulas e nota a dificuldade dos alunos para entendê-los. "Fiquei decepcionado. Para o Enem, o aluno deve apenas saber tirar do gráfico alguns valores. Isso quando a imagem mantém relação com o enunciado", diz. "E a forma como o exame usa gráficos acaba virando material de trabalho para o professor. Ele pensa: "É assim que devo ensinar?"."

No doutorado, o pesquisador vai trabalhar com o mesmo tema, por meio da análise de vestibulares da USP, Unesp e Unicamp. "Ler gráficos é questão de cidadania. O sujeito que quer participar da sociedade de maneira crítica precisa saber."

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