Criticada suspensão de kit anti-homofobia

O coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids no Brasil (Unaids), Pedro Chequer, classificou como um retrocesso a decisão do governo federal de suspender a distribuição de material educativo com mensagens anti-homofobia e de incentivo ao uso da camisinha. "Recebemos a notícia com desapontamento e surpresa. Esperamos que a decisão seja revista."

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2013 | 02h01

Para ele, a atitude compromete a imagem da política brasileira de prevenção à aids no cenário internacional. "A mensagem de independência pode ser substituída por uma visão retrógrada, de quem restringe suas ações em virtude de dogmas religiosos."

O Estado informou sábado que o kit havia tido sua distribuição suspensa. Formado por seis gibis e material de orientação para professores, o kit havia sido produzido em 2010. Apesar do lançamento, os gibis não chegaram a ser amplamente distribuído, por motivos eleitorais. Para evitar polêmica com grupos religiosos, o governo guardou o material.

A nova suspensão foi causada pelo mesmo motivo. Conforme o Estado apurou, a ordem teria partido do Planalto. Mas o ministro da Saúde, Alexandre Padilha assumiu a responsabilidade.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, pastor Marco Feliciano, elogiou a decisão. "O ministro nada mais fez do que honrar um compromisso. A bancada evangélica já havia manifestado o receio de que o kit circulasse."

O Ministério da Saúde disse que a suspensão teve três motivos. Embora tenha sido aprovado pela gestão anterior, o material teria de ser avaliado por uma comissão do MEC. Além disso, o material não teria a mensagem que a aids não tem cura, algo tido como essencial. Por fim, o kit não teria o logotipo do governo. / L.F.

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