Hussein Malla/AP
Hussein Malla/AP

Cruz Vermelha entra em Homs em meio a massacre sírio

Apesar das tropas sírias tentarem impedir, a entidade conseguiu começar a entregar alimentos e cobertores para a população de refugiados

Reuters,

04 Março 2012 | 11h14

As equipes da Cruz Vermelha começaram a entregar alimentos e cobertores na cidade de Homs neste domingo, 4, apesar das tropas sírias tentarem impedir a entidade de ingressar na cidade. O objetivo é ajudar também pessoas que vivem nos arredores de Baba Amr e outros vilarejos próximos.

 

"Estamos muito preocupados com as pessoas em Baba Amro", afirmou o porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Damasco, Saleh Dabbakeh, que não deu mais detalhes sobre as negociações com as autoridades sírias. Apesar da permissão do governo, a Cruz Vermelha só conseguiu entrar na região três dias depois de os rebeldes terem sido expulsos de seu reduto.

 

Ainda neste domingo, mais de 2 mil refugiados entraram em conflito com as forças sírias ao tentar ultrapassar a fronteira do nordeste do Líbano, disse um porta-voz das Nações Unidas.

 

Depois de um mês de bombardeios pelas forças do presidente Bashar al-Assad, aumentaram as preocupações com os civis feridos, famintos e que sofrem com o frio em Homs. Ativistas da oposição afirmaram que os membros do programa de ajuda humanitária estão sendo proibidos de entrar para que não vejam os "massacres" do Exército sírio.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou nesta última sexta-feira que recebeu "relatos terríveis" de que as tropas estão executando e torturando pessoas em Homs, depois de os insurgentes terem abandonado suas posições.

Ao sul de Homs, a fronteira com a cidade de Qusair foi bombardeada pelas forças do governo, que forçaram residentes a fugir a pé para o Líbano, disse uma testemunha da Reuters.

"As pessoas afirmaram que estavam em casa quando, de repente, o bombardeio começou e elas tiveram que fugir. Elas afirmaram que havia tanques e disparos de armas de fogo", disse o repórter da Reuters Afif Diab.

Na fronteira, ele disse que havia principalmente mulheres fugindo com suas crianças. As explosões podiam ser ouvidas a partir da fronteira com o Líbano, localizada a cerca de 12 quilômetros de Qusair.

Ativistas também reportaram bombardeio na cidade de Rastan, ao norte de Homs, onde rebeldes estavam se refugiando.

"Os moradores me disseram que o bombardeio começou no início da manhã, pouco após helicópteros e aviões de reconhecimento terem sido vistos sobrevoando a cidade", disse Rami Abdelrahman, chefe do Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

Confrontos entre os desertores do Exército Livre da Síria e as tropas de Assad também foram reportados em Jebel al-Zawiya, no norte do país.

O mundo se provou impotente para impedir os massacres na Síria, onde a repressão de protestos inicialmente pacíficos contra o governo de Assad causaram uma revolta de desertores do Exército e outros cidadãos.

O governo afirma que está combatendo terroristas apoiados por países estrangeiros, a quem culpam pela morte de centenas de soldados e policiais em todo o país.

A ONU afirma que as forças sírias já mataram mais de 7.500 civis desde março passado, quando começou a revolta contra as quatro décadas de poder da família Assad.

 

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