Luiz Américo Camargo/AE
Luiz Américo Camargo/AE

Cruze a cidade, trace a pizza

A coluna desta semana pegou a estrada e foi um pouco mais longe que o habitual. Cruzou parte da zona sul e alguns quilômetros da Via Anchieta. O suficiente para chegar a Santo André, onde está uma das melhores pizzas da cidade, digo, da Região Metropolitana. Certamente entre as mais bem feitas que comi nos últimos meses.

Luiz Américo Camargo, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2013 | 02h09

A Grazie Napoli, inaugurada neste ano, foi aberta a partir das obsessões de seus fundadores, os irmãos Fábio e Marcos Fernandes. Também donos do concorrido Burger Map, eles passaram uma temporada provando margueritas e congêneres em Nápoles e Nova York. Na cidade italiana, fizeram estágios em duas pizzarias, o que os ajudou a definir padrões de trabalho. No fim, trouxeram até os fornos a lenha da Itália - segundo os proprietários, construídos pelo fabricante Stefano Ferrara, com tijolos que levam em sua composição cinzas do vulcão Vesúvio.

Localizada no Bairro Jardim, a casa é ampla e confortável. Mesmo com vários ambientes diferentes à disposição, eu recomendo que você sente no salão em frente aos fornos. De preferência, com vista para eles. É dali que saem pizzas muito bem construídas e assadas, três delas seguindo os critérios da Associazione Verace Pizza Napoletana (estabelecimentos como a Bráz e a Speranza também são certificados pela associação). Vou falar sobre uma delas em especial, a marguerita DOC (R$ 28).

A pizza é servida no prato, em tamanho individual (são quatro pedaços e dá para dividir, talvez começando a refeição por algum antepasto). O disco de massa é fino no centro, levemente elástico, com borda alta e, fundamental, de cocção perfeita. De acordo com a casa, ele é assado em um minuto e meio, em temperatura acima dos 400°C. A distribuição do molho (de tomate San Marzano, do sul da Itália) e da mussarela de búfala é equilibrada, sem excessos. Foi fácil dar conta das quatro fatias.

Pizza, a meu ver, é comida de velocidade. Para ser preparada rapidamente, servida sem demora, devorada fumegante, no ápice do sabor. Sendo assim, caso você não more nos arredores, é questão de avaliar: uma hora de deslocamento, de carro, para dez minutos à mesa? Mas eu acho que compensa o desvio. Há arancini (bolinhos de risoto, R$ 10) e panzarotti (bolinhos de batata, R$ 10) - estes, particularmente bons - para começar. Há várias outras pizzas, de sabores ora mais tradicionais, ora mais inventivos, todas individuais, com massa e molho no padrão napolitano. Tornam-se pretextos, enfim, para alongar a visita.

Para beber, há um razoável chope da cervejaria Madalena, ali mesmo de Santo André. Porém, nessas horas, eu lembro de Saul Galvão e de sua famosa observação, "chope com pizza é pleonasmo do fermento", e tendo para o vinho. A carta não é brilhante, mas tem lá sua diversidade, e destaca apenas uma opção em taça: o Montepulciano D'Abruzzo do produtor Bonacchi. Podia ter mais.

Por que este restaurante?

Porque é uma das melhores pizzas da Região Metropolitana.

Vale?

As pizzas são individuais, com preços entre R$ 20 e R$ 30. Vale.

 

Onde fica?

 

Grazie Napoli R. das Aroeiras, 317, Santo André, 4432-2308. 18h/23h (6ª e sáb., 18h/1h; dom., 18h/23h. Fecha 2ª). Cc.: M e V

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