Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Cultivo de alimentos hidropônicos cresce, mas ainda não é regulamentado

O cultivo de hidropônicos é responsável pela constância do abastecimento de hortaliças, como alface, agrião e rúcula, na mesa dos brasileiros. Estima-se que responda por algo entre 35% e 40% do fornecimento de folhas no País. Mas o Brasil, que tem desde janeiro deste ano uma legislação específica para os orgânicos, ainda não possui regulamentação para os hidropônicos.

KARINA NINNI, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2011 | 03h05

"Não existem leis para o cultivo de hidropônicos. Há recomendações tecnológicas e de produção - e alguma fiscalização do uso de defensivos agrícolas feita por amostragem, assim como ocorre no cultivo convencional", diz Antônio Bliska Junior, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que trabalha com hidroponia desde a década de 1990.

O pesquisador Luis Felipe Villani, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), atesta. "O Ministério da Agricultura tem portarias gerais sobre contaminação biológica e por defensivos, mas nada exclusivamente sobre hidropônicos." De acordo com ele, não existe muita diferença entre os cultivos hidropônico e convencional. "Em ambos pode haver deficiência de manejo."

O chefe da divisão de agricultura conservacionista do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Maurício Carvalho, admite a lacuna. "Não existe regulação específica para esse processo produtivo no Brasil, mas há o entendimento de que a água utilizada para o cultivo não deve ser descartada em rios e cursos d'água, por exemplo."

No último encontro brasileiro de hidroponia, realizado em setembro em Florianópolis (SC), os produtores - estimados em cerca de 10 mil no País - discutiram a criação de um selo de certificação, como já existe para os alimentos orgânicos. "Eles querem dar mais visibilidade aos hidropônicos e deixar claras as diferenças para o cultivo tradicional e os orgânicos", afirma Romério José de Andrade, agrônomo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), ligada ao Ministério da Agricultura.

A falta de lei específica não é exclusividade do Brasil. Na Costa Rica há um movimento entre produtores de hidropônicos para a elaboração de normas sul-americanas. "Como a América Central começa a servir de horta para o mercado americano, eles têm essa preocupação, pois vão ter de atestar qualidade na hora de exportar", diz Bliska Junior.

Vantagens. Para os produtores, uma das vantagens do cultivo de hidropônicos é a possibilidade de produzir mais alimentos em uma área menor.

Hideo Kuramoto, de Itapecerica da Serra (SP), um dos 4 mil produtores de hidropônicos do Estado de São Paulo, deixou o sistema tradicional em 2000. De acordo com ele, o manejo do sistema é mais difícil. Ele conta que em dias quentes, por exemplo, é complicado manter a água na temperatura adequada. Mas o desafio compensa. Em 27 mil metros quadrados de estufa, ele produz o que conseguia em 300 mil metros quadrados de terreno. "Colho mais rápido, reduzi de 40 para 27 o número de funcionários e não preciso usar tratores nem remover ervas daninhas", relata o produtor.

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