Custo de combustível pesa e Gol dobra prejuízo no 2o tri

Os altos custos com combustíveis e a desvalorização do real em relação ao dólar fizeram a Gol dobrar seu prejuízo no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado marcou o quinto trimestre consecutivo de perdas para a segunda maior companhia aérea do país.

CAROLINA MARCONDES, Reuters

14 de agosto de 2012 | 15h19

Mesmo diante da situação, a empresa afirma que não vê a possibilidade de nenhuma oferta de papéis no mercado, enquanto espera por um cenário um pouco mais favorável para o segundo semestre.

"(A Gol) vem reforçando o caixa por meio de diversas alternativas, mas nesse momento não enxerga nenhuma possibilidade de fazer 'follow on' no curto prazo. Não há nenhuma sinalização nesse aspecto", afirmou o diretor de relações com investidores da companhia, Edmar Lopes, em teleconferência.

A segunda maior companhia aérea do país encerrou o segundo trimestre com prejuízo líquido de 715,1 milhões de reais, praticamente o dobro do resultado negativo apurado um ano antes, de 358,7 milhões de reais. Analistas consultados pela Reuters estimavam, em média, prejuízo líquido de 292,1 milhões de reais no segundo trimestre.

A companhia revisou suas estimativas de desempenho para 2012 e agora espera encerrar o ano com margem Ebit negativa, contra perspectiva anterior de margem de 4 a 7 por cento. No segundo trimestre, a margem Ebit ficou negativa em 19,4 por cento, e no semestre o dado também foi negativo, em 8,7 por cento.

A Gol também revisou sua expectativa de demanda no mercado doméstico em 2012 para crescimento entre 6 e 9 por cento, contra expectativa anterior de expansão de 7 a 10 por cento. Além disso, a empresa reduziu sua estimativa de aumento de oferta de assentos este ano.

Às 14h43, as ações da Gol despencavam 5,84 por cento enquanto o Ibovespa exibia desvalorização de 0,05 por cento.

Em relatório a clientes, analistas do BTG Pactual consideraram os resultados da Gol como "um dos mais fracos trimestres da história da companhia".

"Apesar dos resultados da Gol deverem melhorar diante de uma melhor sazonalidade --já que o segundo trimestre costuma ser o mais fraco-- e esforços para melhora de receitas unitárias e custos, as tendências operacionais ainda são fracas. O resultado bem abaixo do esperado no segundo trimestre nos impede de sermos mais otimistas neste momento."

COMBUSTÍVEL

No segundo trimestre, o custo com combustíveis, que há algum tempo tem sido um problema nos resultados da companhia, representaram 42 por cento das despesas totais consolidadas da Gol. A empresa apurou o maior índice histórico do preço por litro no segundo trimestre, de 2,28 reais.

"Em julho a gente já viu que o preço dos combustíveis baixou de 8 a 9 por cento... em agosto a expectativa é que suba um pouquinho. Não deve repetir os 2,40 reais de junho, mas deve se estabilizar no patamar de 2,20 reais que está hoje", disse Lopes.

O executivo afirmou que a Gol não prevê alterações em sua política de hedge de combustível, sob a qual no curto prazo a proteção é de 30 por cento e no longo prazo, entre 5 e 9 por cento.

"Nossa política de hedge não é especulativa... na nossa posição temos mantido uma posição próxima de 4 milhões de barris. Estamos protegidos no curto prazo no (petróleo) Brent em perto de 110 dólares. No longo prazo, 2014, o preço médio é perto de 105 dólares o barril", afirmou Lopes.

De abril a junho, a Gol registrou perdas de 51 milhões de reais em hedge de combustível, sendo 10 milhões de reais de perdas com contratos de vencimento no próprio trimestre e 41 milhões de reais em perdas com contratos de exercícios futuros.

O Cask (custo por passageiro-quilômetro) no segundo trimestre foi de 17,48 centavos de real, aumento de 8,2 por cento na comparação anual. Se os combustíveis forem excluídos desta conta, o valor cai para 10,12 centavos, alta de 4 por cento ante os mesmos meses de 2011.

A companhia, que anunciou em junho a demissão de 190 tripulantes, encerrou junho com 18.966 funcionários, 1,5 por cento acima do total verificado um ano antes. Enquanto isso, a frota em operação no final do trimestre passado somva 129 aeronaves, alta de 18,7 por cento sobre os 109 aviões de um ano antes.

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