D. Murilo Krieger é o novo primaz do Brasil

Nomeado pelo papa para a Arquidiocese de Salvador, a primeira do País, arcebispo afirma que pretende dialogar com religiões afro-brasileiras

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2011 | 00h00

O novo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, d. Murilo Sebastião Ramos Krieger, de 67 anos, cuja nomeação foi anunciada ontem pelo Vaticano, disse que seu primeiro desafio será enfrentar a realidade da Bahia, porque sempre trabalhou no Sul - em São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Por isso, não leva um projeto pronto, mas a disposição de ouvir e aprender, para só depois dar uma orientação à ação pastoral na arquidiocese. "Minha preocupação é mergulhar naquela realidade, tendo a meu lado pessoas experientes", anunciou.

Catarinense nascido em Brusque, ele era até agora arcebispo de Florianópolis. Anteriormente, foi bispo auxiliar dessa arquidiocese, bispo de Ponta Grossa e arcebispo de Maringá.

"Eu achava que fosse ficar por aqui, na minha terra, mas fui surpreendido pela nomeação, que recebo como um serviço à Igreja", revelou d. Murilo. Ao lado do arcebispo de Maringá, d. Anuar Battisti, seu nome estava entre os mais cotados para o cargo, conforme publicou o Estado anteontem.

O novo primaz - título dado ao arcebispo de Salvador pelo fato de ter sido essa a primeira diocese criada no Brasil, em 25 de fevereiro de 1551 - afirmou que vai à Bahia disposto a ter uma boa convivência com a religião afro-brasileira, o candomblé. "As várias religiões têm em comum determinados valores, como a solidariedade, a justiça, o trabalho pela paz e a luta pelos menos favorecidos, de modo que, no que for possível, vamos trabalhar juntos", acrescentou.

D. Murilo acredita que, para ter um bom diálogo com os cultos afro-brasileiros, não será necessário conhecer um terreiro de candomblé. "Uma presença física poderia não ser edificante e poderia levar a interpretações equivocadas." O importante, segundo ele, "é aprender a lidar com pessoas diferentes, a partir de suas crenças e valores".

Ex-aluno do cardeal d. Eusébio Oscar Scheid, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, d. Murilo admite que ele possa ter sido consultado sobre sua nomeação para Salvador. Os dois são membros da Congregação do Coração de Jesus. O novo primaz deverá receber em breve o título de cardeal. A posse está marcada para 25 de março.

Para o padre Edson Menezes, reitor do Bonfim, o momento será de agradecimento. "Somos gratos por tudo o que d. Geraldo fez pela diocese e agora aguardamos a chegada de d. Murilo", diz.

Missionário. D. Geraldo Majella Agnelo, de 77 anos, revelou ao Estado que seu projeto pessoal é, depois de colocar as coisas em dia nos próximos meses, trabalhar como missionário em Guiné-Bissau, na África, para realizar um sonho que tinha desde os tempos de seminarista.

Ao renunciar à arquidiocese por limite de idade (75 anos, de acordo com o Código de Direito Canônico), o arcebispo não perde o título e os privilégios de cardeal. Até completar 80 anos, poderá votar num eventual conclave para a eleição do papa. / COLABOROU TIAGO DÉCIMO

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