D. Odilo pediu informações sobre dossiê em reunião

Bastidores: Jamil Chade

O Estado de S.Paulo

07 de março de 2013 | 02h07

Dom Odilo Scherer usou sua intervenção na Congregação-Geral do Colégio Cardinalício, na terça-feira, para pedir informações sobre o dossiê preparado por três cardeais no ano passado, a pedido do papa Bento XVI, sobre os escândalos envolvendo a Santa Sé que estão abalando as estruturas da Igreja. Nas reuniões secretas, temas como pedofilia e casos de corrupção, que causaram um verdadeiro terremoto dentro da Igreja, têm sido alvo de debates nos últimos dois dias.

O Estado recebeu informações confidenciais do conteúdo dos encontros. Elas foram passadas antes do início da tarde de ontem, quando o Vaticano deu um basta ao vazamento de informações, impondo uma lei do silêncio. Fora do encontro, a lei estabelecida é de um sigilo total sobre o conteúdo das conversas no período pré-conclave. Mas, nos bastidores, as informações revelam que cardeais estão expondo os reais problemas da Igreja, de forma transparente e sem complexos.

Mesmo tendo seu nome citado como um dos prováveis papas, o brasileiro d. Odilo usou seu discurso para indicar que gostaria de receber maiores informações sobre os escândalos. Bento XVI havia estabelecido, antes de deixar o poder, que o dossiê preparado pelos três cardeais que investigaram a situação seria mantido em total sigilo e apenas o próximo papa teria acesso aos documentos.

Os cardeais brasileiros já haviam indicado antes do início das reuniões que fariam esse apelo pela transparência. A intervenção de d. Odilo confirma que o arcebispo de São Paulo fez questão de manter sua palavra.

Diante da pressão, o Vaticano não pôde resistir. Se ao público os assuntos serão mantidos em sigilo, os cardeais que pediram informações foram orientados há dois dias a buscar um dos três autores do informe para obter os dados que buscavam e as informações que julgassem relevantes. Dessa forma, o Vaticano consegue manter o documento em sigilo e, ao mesmo tempo, fazer uma lista dos cardeais que pediram acesso às informações.

Diversos outros cardeais usaram seus minutos de discurso para pedir uma nova estrutura na Cúria Romana que facilite a comunicação entre os sacerdotes do alto clero e o papa - um problema que teria afetado o pontificado de Bento XVI. Nas entrelinhas, os cardeais pediam uma reforma da Santa Sé, num dos aspectos considerados como dos mais fundamentais na gestão da Igreja.

Não faltaram ainda os cardeais que alertaram para o fato de que os casos de pedofilia precisavam ser tratados. Angelo Scola, um dos nomes mais cotados para suceder a Bento XVI, também discursou nos três primeiros dias de reuniões. A jornalistas americanos em Roma, o cardeal de Chicago, Francis George, foi explícito: "Ainda não estamos prontos para o conclave".

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