Da cozinha do prazer para a cozinha do pensamento

Entrevista com Mark Bittman, colunista do 'The New York Times'

03 de fevereiro de 2011 | 10h30

O Minimalista sai de cena, mas Mark Bittman ainda tem muito a dizer. De Nova York, ele falou com o Paladar sobre as novas colunas no The New York Times e o que aprendeu em 13 anos cozinhando e escrevendo.

Ao olhar para as mais de 700 colunas, o que você vê?

A evolução da minha cozinha e como ela foi influenciada pelas pessoas com as quais cozinhei e, mais tarde, a conclusão de que é melhor comer vegetais do que qualquer outra coisa.

No início, você dizia que qualquer um pode aprender a cozinhar. Ainda acredita nisso?

As pessoas costumam achar que cozinhar é muito difícil, mas elas estão enganadas. Preparar um prato só exige habilidades básicas, como picar e mexer, o que é muito pouco para uma atividade tão gratificante.

Acha que seu jeito relaxado ajudou a levar para a cozinha gente que tinha medo das panelas?

Ao longo dos anos, muitas pessoas me disseram que ler a coluna fez com que elas tivessem menos medo da ideia de cozinhar. Acho que o fato de não ser um chef profissional – e não ligar se minha comida não ficar perfeita – mostrou que cozinhar não precisa ser tão intimidante quando muitos chefs celebridades fazem parecer na TV.

Em 13 anos, quais tendências O Minimalista apontou?

Deixei de usar salmão. Mas acho que a principal mudança foi usar menos carne, porque nos últimos anos diminuí meu consumo, e a coluna reflete isso. Acho que O Minimalista foi imune a modas passageiras, porque sempre fiz comida honesta com bons ingredientes. Esse tipo de cozinha é atemporal.

Como será sua nova coluna?

Estou muito entusiasmado, mas não quero estragar a surpresa. Será mais ambiciosa. Vou cozinhar com pessoas diferentes, fazer receitas mais elaboradas e cardápios completos. Mas o foco ainda estará na cozinha caseira e em receitas simples.

Também escreverá sobre política alimentar. Temos de nos envolver mais com essa questão?

Sim, com toda a certeza. Na verdade, todas as pessoas que comem – e isso quer dizer todo mundo – deveriam se interessar em saber de onde a comida vem. A maneira como estamos comendo não vai se sustentar por muito tempo. Não temos os recursos para continuar criando gado da forma como fazemos. É ótimo pensar na qualidade dos ingredientes, em quanto é prazeroso cozinhar e comer, mas também não podemos ignorar que a forma como comemos e o que comemos tem consequências que vão além de nosso estômago.

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