Da revolução à globalização

Conhecida há 8 mil anos na América, a batata (Solanum tuberosum) foi levada para a Europa - do Peru ou da Colômbia -, por volta de 1570. Foi o pontapé inicial da globalização do tubérculo que se tornou um dos alimentos mais cultivados no planeta. Mas a batata não caiu no gosto do povo tão rápido. As primeiras a cruzar o Atlântico eram pequenas, amargas, aguadas. Eram de uma variedade que não se dava muito bem com latitudes mais altas, diz Alan Davidson em The Oxford Companion to Food.

/JOSÉ ORENSTEIN, O Estado de S.Paulo

28 Março 2013 | 02h08

No Velho Continente a batata foi temida por muito tempo por causa da solanina (um componente tóxico) até que fosse domesticada e cultivada, inicialmente na Holanda. Na Prússia e na Suécia decretos reais ordenavam a plantação do vegetal. Os europeus só se renderam a ela quando não tinham mais o que comer nas guerras do século 18: o tubérculo escapava da vista dos soldados inimigos que pilhavam tudo o que crescia à vista.

Na França, onde hoje é onipresente à mesa, ela só se popularizou de fato quando foi aceita pela corte. O oficial do Exército Antoine-Auguste Parmentier, depois de conhecer a batata na prisão prussiana (ele fora detido na Guerra dos Sete Anos - 1756 a 1763), levou-a ao rei Luís 16 e convenceu Maria Antonieta a se enfeitar com flores de batata no vestido. Em 1793, na França revolucionária, rolava a cabeça do rei - e o jardim real das Tulherias tornava-se um batatal.

Do século 19 para cá, o vegetal americano ganhou enfim o mundo. Em The Untold History of the Potato, o historiador inglês John Reader justifica o sucesso do que ele chama de superalimento: "As batatas crescem na altitude do Mont Blanc ou ao nível do mar. Sobrevivem em terras áridas, florescem em nortes glaciais e crescem, selvagens, na floresta tropical". Viva a batata.

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