Daiane diz ter avisado sobre uso de diurético

Atleta alega que tomou produto em tratamento para redução de gordura

Amanda Romanelli e Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

Daiane dos Santos e seu clube, o Pinheiros, já têm uma linha de defesa para o caso de doping divulgado ontem pela Federação Internacional de Ginástica (FIG): a atleta teria informado o uso do diurético furosemida, proibido pela Agência Mundial Antidoping (Wada), no momento da coleta do material, realizado em julho. A substância foi utilizada em um tratamento para redução de gordura localizada.

A ginasta de 26 anos, campeã mundial do solo em 2003, considera-se inapta para o esporte de alto nível até 2010, depois de ter passado por duas cirurgias no joelho direito - uma em outubro de 2008 e, outra, em maio. Ela não participa de qualquer competição desde a Olimpíada de Pequim, em agosto de 2008. Por esse motivo, o Pinheiros e seu advogado pessoal, Cristian Rios, são incisivos ao dizer que Daiane não deveria ter sido submetida a controles de dopagem neste ano.

As partes afirmam que a Confederação Brasileira de Ginástica (CBGin) foi informada do afastamento da atleta, uma espécie de licença médica. A entidade teria, então, retirado Daiane da seleção permanente em 23 de outubro de 2008. Por isso, na interpretação da defesa da ginasta, ela está inelegível para a realização de controles de dopagem até que retornasse à equipe nacional.

O que Pinheiros e Rios colocam em dúvida é se a CBGin fez esse comunicado à FIG - procurada, a presidente da entidade, Luciene Resende, não retornou as ligações da reportagem.

A simples comunicação de uma licença médica, entretanto, não exime um atleta da punição por doping, caso flagrado em um exame fora de competição, como foi o caso de Daiane. Segundo Thomaz Paiva, advogado especializado em antidoping, um atleta pode ser autorizado a utilizar uma substância considerada dopante, desde que faça determinados procedimentos. "É a chamada isenção por uso terapêutico", explica. "Ela deve ser pedida por um médico e encaminhada à confederação da modalidade, que aprova ou não o uso. Caso aprovada, a autorização é enviada à federação internacional." O Pinheiros não informou se realizou esse procedimento.

Daiane dispensou a abertura da contraprova - justamente por ter consciência de que a furosemida poderia aparecer no teste, afirma seu advogado. A atleta tem até o dia 13 para apresentar sua defesa à Comissão Disciplinar da FIG. Posteriormente, o caso será levado à Comissão Presidencial, que dará o veredicto final. Se considerada culpada, Daiane será suspensa por dois anos.

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