Dancinha da sorte

Patrocinado, Matt virou celebridade e já rodou 79 países para “dançar” (?) e postar vídeos; Brasil foi um dos destinos

RODRIGO MARTINS,

16 Junho 2008 | 00h00

Domingo, 1 de junho. São 11h15 e pago "mico" no aeroporto de Congonhas com uma placa "Matt Harding" nas mãos. Estou à espera do tal "dançarino da internet", o norte-americano de 31 anos que já viajou 79 países para filmar a si próprio dançando de forma descoordenada em pontos que vão da Muralha da China e as pirâmides do Egito à Antártida. Os vídeos, publicados em www.wherethehellismatt.com, já atraíram mais de 10 milhões de pessoas. Matt está produzindo um vídeo novo, que estréia neste sábado, dia 21. Nele, correu 40 países para dançar com seus fãs. O Brasil estava no alvo. No dia anterior, 31 de maio, ele havia gravado na praia de Ipanema, no Rio. E voou para São Paulo para reunir os paulistanos para dançar no Monumento da Independência, no Ipiranga. Matt nunca tinha vindo ao Brasil. Chegou sozinho no desembarque do aeroporto. Apresentei-lhe a Avenida Paulista e o centro da cidade e rumamos para o Ipiranga, onde 60 pessoas o aguardavam. "Estou cansado de viajar", desabafa o viajante, que roda o mundo para o novo vídeo desde abril de 2007. "Quero ir para casa descansar." Mesmo assim, Matt não tem do que reclamar. É patrocinado por uma marca de chicletes para viajar e postar vídeos na web. "Vou para onde quero." Ele já deu três voltas no globo terrestre só para dançar como uma criança de "dois anos", que é a "única forma" que sabe. Tudo começou em 2003. O rapaz de Seattle, nos EUA, trabalhava como desenvolvedor de games na Austrália. "Estava cansado. Desperdiçava minha vida na frente do PC." Pediu as contas e resolveu viajar. Levou consigo um colega do trabalho e visitou 17 países, entre China, Índia e Mongólia. "Eu já fazia essa dancinha no escritório e o meu amigo me perguntou: ‘Por que você não grava em todos os países pelos quais passarmos?" Dito e feito. Com sua câmera fotográfica digital, ele gravou os videos e depois de seis meses de viagem os editou, de forma que aparecessem em seqüência. Muito bizarro e engraçado. Tudo normal até 2004. "Meu vídeo foi descoberto por blogs como o Boing Boing. Aí a audiência explodiu. Num dia eram 200 mil visitas. No outro já eram 400 mil." Matt apareceu em talk shows da TV e até no The New York Times. Com seu biotipo nada convencional para um "dançarino" – é gordinho e tem cara de nerd –, Matt virou celebridade na web. O burburinho rendeu-lhe um contrato de publicidade para um segundo vídeo, lançado em 2006, no qual visitou 39 países. "Aproveitei o momento do ‘boom’ de vídeos na web. Publiquei antes de o YouTube existir. Mas, quando ele foi criado, minha audiência cresceu ainda mais." O vídeo que estréia neste sábado tem outro propósito além de dançar em pontos turísticos: "O projeto é dançar com os fãs". O Brasil foi escolhido entre um dos 40 países por conta da quantidade de e-mails que Matt recebia perguntando porque não viria dançar por essas bandas. Agora Matt não anda mais com uma camerazinha fotográfica. Traz uma câmera de alta definição. "Farei a premiére em um cinema de Seattle." Na bagagem, notebook, tripé, Gameboy e Sudoku, os dois últimos para tirar o tédio nos vôos. "E só. Gosto de mochilar. É mais prático." Em suas andanças, Matt descobriu que é possível se conectar em qualquer lugar. "Mesmo em países pobres, como a Ruanda, há cibercafés. Me conectei até na Antártida." As gravações que rolaram em São Paulo foram muito rápidas. E engraçadas. Teve gente que imitou galinha, outros que deram uma de faraós. E, lógico, Matt, com seus braços descoordenados, pulando e suando sem parar. "As gravações estão acabando. Não sei o que vou fazer a partir de agora para ganhar dinheiro." E se a fama acabar? "Estou tentando me divertir. Depois volto para a vida normal."

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