Danny Glover: há afinidade entre atos no País e nos EUA

Em viagem pelo Brasil para divulgar campanha mundial pelo direito à sindicalização do trabalhadores da montadora Nissan no Estado de Mississipi (Estados Unidos), o astro norte-americano Danny Glover disse nesta terça-feira que vê semelhanças entre os protestos que tomam conta das ruas do Brasil e o movimento Ocupe Wall Street.

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

02 de julho de 2013 | 17h53

"Eu acho que é possível fazer essa analogia, não seria injusto. O governo brasileiro é liderado por trabalhadores, que têm desempenhado um papel estratégico no que vem acontecendo nessas últimas duas administrações (do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff). No caso dos Estados Unidos, embora o presidente Obama (Barack Obama) seja compreensivo com os trabalhadores, o tipo de relação que estamos construindo não tem sido da forma que gostaríamos", disse Glover, após reunião, no Palácio do Planalto, com o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Nesta segunda-feira, 1, Dilma fez uma comparação entre os protestos brasileiros e o movimento de ocupação de Wall Street. "É importante que a gente frise a diferença dessas manifestações em relação ao que ocorre no resto do mundo. Se a gente olhar tantos indignados com o movimento de ocupação de Wall Street, nós temos em comum entre eles uma questão relativa à perda de direitos. À perda de direitos, a um processo de desemprego, a um processo recessão, a um processo de perda de direitos previdenciários, no caso da Europa, há grande desemprego entre os jovens. Não é o caso do Brasil, que tem uma das menores taxas de desemprego da nossa história e também uma das menores taxas de desemprego do mundo", afirmou a presidente, na ocasião.

De acordo com o ator norte-americano - que estrelou a franquia "Máquina Mortífera", ao lado do ator Mel Gibson -, a "voz das ruas" é sinal de uma democracia brasileira maior e mais sólida. "É uma oportunidade não só para os governos, mas para as instituições ouvirem o que está acontecendo nas ruas. Democracia não funciona sem divergência, sem a livre expressão de opiniões. Este é um importante momento da história do Brasil, quando todos nós podemos ver as vozes das pessoas expressas nos protestos", afirmou.

Glover também disse na que o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela "mudou a vida de todos nós" - o ator o interpretou num telefilme de 1987. "Ele tem quase 95 anos e já fez tanto. Mudou a vida de todos nós, certamente somos honrados por viver na época de Mandela", disse. Segundo a imprensa estrangeira, Mandela segue em estado crítico.

Mais conteúdo sobre:
ProtestosBrasilDanny Glover

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.