Dantas tentou subornar delegado da PF com US$ 1 mi, acusa MP

Dono do banco Opportunity queria que seu nome e o de seus familiares fossem retirados das investigações

Reuters,

08 Julho 2008 | 14h18

O banqueiro Daniel Dantas, preso nesta terça-feira, 8, pela Polícia Federal, tentou subornar um delegado da PF para evitar as investigações que levaram à sua prisão, acusou o Ministério Público Federal. De acordo com nota distribuída pelo MPF, Dantas teria oferecido, por meio de dois intermediários, US$ 1 milhão a um delegado da PF para que seu nome, o de Verônica Dantas, irmã do banqueiro, e de Carlos Rodemburg, sócio e vice-presidente do Banco Opportunity, fossem retirados das investigações. Parte do dinheiro que seria usado no suborno foi apreendido na casa de um dos acusados. De acordo com os promotores, o fato foi informado ao juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, que autorizou que os contatos entre o delegado e os intermediários continuassem sem que fosse dado o flagrante de corrupção. O objetivo seria a obtenção de mais provas. O delegado da PF teria chegado a receber 129 mil reais dos intermediários do banqueiro.   Veja também: MP e PF pediram prisão de petista, mas juiz negou Leia a íntegra da nota do Ministério Público Federal Imagens da Operação Satiagraha Opine sobre a prisão de Dantas, Nahas e Pitta  PF prende Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas Entenda as acusações contra Dantas e Nahas Defesa diz que Dantas foi preso por vingança Mandados de prisão atingem familiares e funcionários de Dantas As ações da Polícia Federal no governo Lula Os 40 do mensalão   Os laudos periciais obtidos nas investigações indicam que o grupo de Dantas  teria cometido crime de evasão fiscal de divisas por meio do Opportunity Fund, uma offshore no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe. De acordo com informações divulgadas e pela Procuradoria da República no Estado de São Paulo, do Ministério Público Federal, este fundo movimentou quase US$ 2 bilhões entre 1992 e 2004. "Além de evasão (de divisas) e (formação de) quadrilha, as investigações já permitem dizer que o grupo de Dantas cometeu também gestão fraudulenta, concessão de empréstimos vedados (entre empresas do mesmo grupo) e corrupção ativa", diz o MPF-SP. A PF e o MPF informaram que irão apurar o vazamento de informações sigilosas, que teriam levado Dantas a tentar o suborno do delegado. A operação Satiagraha, que resultou na prisão de Dantas, contou com a participação de 300 policiais federais nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Salvador.   A informação também foi confirmada pelo procurador da República Rodrigo de Grandis, do Ministério Público Federal de São Paulo, durante entrevista coletiva nesta tarde.   Grandis informou que, em dois momentos distintos, o delegado recebeu R$ 50 mil e depois R$ 79 mil, em valores que foram apreendidos e que estão disponíveis na Justiça Federal. Ainda de acordo com o procurador, os dois integrantes do grupo de Dantas propuseram também ao delegado a criação de uma investigação contra o adversário e ex-sócio de Dantas, Luiz Roberto de Marco. O investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta também foram presos na operação. O Ministério Público informou que também pediu a prisão do ex-deputado federal pelo PT paulista Luiz Eduardo Greenhalg, por suposta participação na "organização criminosa de Dantas". O pedido, no entanto, foi negado pelo juiz.   Texto atualizado às 17h40   (Com Anne Warth, da AE)

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