Dar palpite em eleição alheia é deselegância diplomática

MARCOS GUTERMAN

, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

JORNALISTA

Não é de bom tom que chefes de governo deem palpite sobre eleições em outros países. Mas, na grande fraternidade bolivariana, a intromissão em assuntos alheios tem atropelado as boas maneiras diplomáticas.

O venezuelano Hugo Chávez reafirmou essa indelicadeza ao manifestar seu apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. Questionado sobre como reagiria na hipótese de outro candidato vencer, Chávez, que acabara de se intrometer em questões internas, respondeu: "Não me meto em questões internas".

A confusão entre os desejos pessoais do chefe de governo e os interesses do Estado não é uma característica exclusivamente chavista. O presidente Lula, por exemplo, foi cabo eleitoral de Evo Morales no referendo constitucional boliviano, em janeiro deste ano. Desse modo, tomou partido em assunto que não diz respeito ao Brasil, criando a possibilidade de constrangimentos futuros em caso de derrota de Evo.

É claro que não há inocentes em política externa, mas existem formas menos comprometedoras de exercer influência, como fizeram os EUA na eleição afegã. Até as pedras de Cabul sabiam que o candidato da Casa Branca era Hamid Karzai, mas não se ouviu, da boca de Barack Obama, nenhuma palavra de apoio explícito. Afinal, ele sabe que a relação entre Estados não pode ser personalizada.

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