Datagro reduz previsões para açúcar e etanol do centro-sul

A seca e as fracas produtividades da cana reduziram as previsões de produção de açúcar e das exportações do Brasil na safra 2012/13 da região centro-sul, divulgou a consultoria Datagro nesta quarta-feira em sua segunda estimativa sobre a colheita.

RENE PASTOR, REUTERS

16 Maio 2012 | 13h12

O presidente da Datagro, Plínio Nastari, disse na conferência anual da Organização Internacional do Açúcar/Datagro que a produção de açúcar da região centro-sul do Brasil deve atingir 32,71 milhões de toneladas em 2012/13, uma queda de 3,45 por cento em relação à previsão de março, que havia ficado em 33,88 milhões de toneladas.

Mesmo assim, a produção ainda cresceria 4,6 por cento sobre as 31,2 milhões de toneladas de açúcar em 2011/12.

Nastari disse que o volume de açúcar exportável do Brasil estaria em 22,83 milhões de toneladas na safra 2012/13, queda de 3,26 por cento ante a previsão da Datagro de março, que foi de 23,6 milhões. A nova previsão ainda está acima das exportações da temporada 2011/12, de 21,69 milhões de toneladas.

O presidente da Datagro alertou que um maior enfraquecimento dos preços mundiais do açúcar pode levar a cortes maiores na produção, com os produtores destinando mais cana para a fabricação de etanol.

Desta forma, poderia haver redução das projeções de excedente de açúcar em vários milhões de toneladas para 2012/13.

Os preços do açúcar bruto na ICE de Nova York caíram mais de 25 por cento desde o pico de 2012 de 26,78 centavos de dólar por libra-peso no final de fevereiro. Eles atualmente estão em torno de 20 centavos.

"Se os preços do açúcar enfraquecerem... os produtores brasileiros podem optar por produzir mais etanol...", disse Nastari.

A produção de etanol do centro-sul atualmente está estimada em 20,54 bilhões de litros, uma queda ante os mais de 21 bilhões de litros da previsão de março e ligeiramente abaixo dos 20,6 bilhões de litros produzidos em 2011/12.

A seca e os rendimentos mais baixos fizeram com que a safra de cana na região centro-sul do maior produtor mundial de açúcar sofresse a primeira queda na produção em 11 anos, na temporada passada.

EL NIÑO

Operadores do mercado de açúcar disseram que a seca no Brasil e em outras partes da América do Sul pode se converter em enchentes se o fenômeno El Niño se desenvolver no segundo semestre deste ano.

Nesta quarta-feira a Organização Mundial de Meteorologia informou que há 50 por cento de chances de ocorrência de El Niño no segundo semestre.

As projeções da Datagro, disseram os traders, não levaram em conta potenciais pragas, geadas e problemas logísticos em caso de chuva excessiva, que poderia prejudicar o transporte e o carregamento de açúcar nos principais portos brasileiros de Santos e Paranaguá.

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