Dave Mathews: em vez de discurso, ações

Banda que apoia projetos de energia limpa toca no País pela 2ª vez em festival com enfoque ambiental

Afra Balazina, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

O músico Dave Matthews não costuma fazer discursos durante os shows para tentar converter os fãs em ativistas ambientais. Também não escreve letras de cunho ecológico, como as do grupo australiano Midnight Oil - cujo vocalista, Peter Garrett, chegou a ocupar o cargo de ministro do Meio Ambiente da Austrália.

Mesmo assim, em outubro será a segunda vez que seu grupo, a Dave Matthews Band, estrela um festival relacionado à sustentabilidade no Brasil. Em 2009, eles estiveram na Chácara do Jóquei, em São Paulo, no Festival About Us, que tinha como mote "entretenimento a favor da sustentabilidade". E, no próximo dia 10, estarão em Itu no festival SWU - Starts With You (swu.com.br).

A razão para o respeito conquistado na área ambiental é o que a banda faz fora do palco. Ela integra um grupo informal que trabalha para deixar as turnês mais verdes. Há dois anos, decidiu compensar as emissões de carbono de toda a carreira, o que tem sido feito com plantio de árvores e com auxílios a projetos de energia limpa. A Dave Matthews Band ajudou a construir, por exemplo, a turbina eólica Rosebud, a primeira de grande escala nos EUA. Na turnê deste ano, numa parceria com a ONG FilterForGood, a banda tem incentivado os fãs a levar de casa sua própria garrafa de água para reduzir o uso de plásticos.

"Acho que o show é um momento para conectar nossas almas. Não de dar discursos. E também não quero que arremessem coisas em mim", brinca ele, em entrevista por telefone. Falando mais sério, Dave diz que quer evitar a hipocrisia. "Viajo o mundo todo de avião, quem sou eu para cobrar dos outros? Mesmo nos Estados Unidos, quando atravessamos o país de ônibus, também estamos poluindo."

O sul-africano que cresceu fazendo caminhadas e acampando afirma que hoje, em seu círculo de amigos, é a pessoa que mais consome energia. E que apagar a luz quando sai de um recinto não seria o suficiente para compensar o estrago. "Estar numa indústria com tanto desperdício me faz pensar que preciso tomar medidas drásticas para compensar o que eu faço. Preciso lembrar que trago muitas pessoas, carros, ônibus e equipamentos para os shows", diz.

Nos vídeos em que fala sobre o "esverdeamento" da turnê, que podem ser vistos no site YouTube, ele afirma acreditar que "se dermos para o planeta a oportunidade de se curar, ele vai sarar". Em sua passagem por São Paulo no ano passado ele chegou a plantar duas árvores para simbolizar esse pensamento.

Petróleo. O vazamento de óleo no Golfo do México revoltou o vocalista. "Os políticos diziam que a exploração de petróleo em águas profundas era segura, até ocorrer o acidente e não ser mais. É dessa forma que tudo está acontecendo. Depois, só nos resta lidar com as consequências."

É por isso que ele acredita mais nos fãs que nos políticos para fazer uma grande e positiva mudança no mundo.

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