David Cameron promete investigação sobre acusações de corrupção

O primeiro-ministro britânico David Cameron prometeu no domingo que vai investigar por que um veterano arrecadador de fundos do partido Conservador ofereceu acesso exclusivo a ele em troca de doações de 250 mil libras (400 mil dólares) por ano.

TIM CASTLE, REUTERS

25 Março 2012 | 18h13

Cameron disse que as ações do co-tesoureiro Peter Cruddas, filmadas por repórteres disfarçados, foram "absolutamente inaceitáveis", enquanto ele tentava limitar os danos ao seu partido de centro-direita.

Cruddas pediu demissão pouco depois que o jornal Sunday Times publicou o vídeo em que ele diz aos jornalistas que fingiram ser financiadores internacionais, que as contribuições permitiriam que eles tivessem influência na política do governo e perguntar a Cameron "praticamente qualquer coisa que vocês queiram".

O escândalo ameaça abalar os esforços de Cameron para desfazer a imagem que seu partido estaria muito próximo dos interesses das empresas e dos ricos, enquanto a Grã-Bretanha passa por um processo de austeridade para cortar o seu déficit orçamentário.

"Não é assim que levantamos dinheiro no partido Conservador, isso não deveria ter acontecido," disse Cameron. "Vou me certificar que se faça uma investigação adequada no partido, para ter certeza que isso não aconteça novamente."

As revelações coroaram uma semana complicada para o governo de coalizão liderado pelos Conservadores, depois de uma reação negativa a um orçamento que reduziu os impostos para aqueles que recebem altos salários, ao mesmo tempo em que congelou as aposentadorias.

Embora também houvesse redução de impostos para quem ganha menos, o orçamento não foi bem recebido por muitos britânicos, dando a impressão que o governo estava cuidando dos ricos e que pouco se importava com aqueles que sofrem com o desemprego crescente e rendimentos em queda, enquanto a economia luta para se recuperar da recessão.

O escândalo do patrocínio é uma vergonha para Cameron, que prometeu, antes de chegar ao poder em maio de 2010, reprimir o lobby corporativo, dizendo que esse era o "próximo grande escândalo esperando para acontecer."

As revelações foram "extremamente deploráveis", disse à rede de TV BBC, o ministro do tesouro, Danny Alexander, um alto membro da coalizão Liberal Democrata de Cameron.

O partido Trabalhista, da oposição, pediu uma investigação independente para saber que tipo de acesso havia sido solicitado e obtido, e exigiu que Cameron faça uma declaração sobre o assunto, ao Parlamento.

"Não pode ser apenas uma investigação interna do Partido Conservador, que varrerá tudo para debaixo do tapete," disse o líder trabalhista, Ed Miliband.

"Isso é muito sério para a nossa democracia porque precisamos ter os mais altos padrões na nossa vida pública. E o que vimos hoje fica bem abaixo dos padrões que o povo britânico tem o direito de esperar," acrescentou Miliband.

As revelações vão aumentar a urgência para que os três principais partidos conversem sobre a reforma das regras de financiamento político nas próximas semanas.

Tentativas anteriores de reformas fracassaram devido à relutância dos Conservadores em limitar as contribuições individuais dos ricos e da vontade dos Trabalhistas de evitar limites às contribuições dos sindicatos.

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