De bambu ou de marfim?

Paula Moura / ESPECIAL PARA O ESTADO,

08 de junho de 2011 | 18h37

Planeta hashi. A Ginza fica num bairro luxuoso de Tóquio

Num país em que os restaurantes são superespecializados (há os que servem só arroz, os que fazem apenas sushi), o hashi não foge à regra. A Ginza Natsuno é a meca dos palitinhos em Tóquio. Por onde o olhar se perde, há hashis colorindo as paredes. São mais de 2.600 tipos, fora os acessórios, como o hashioki, o descanso.

No luxuoso bairro de Ginza, a loja tem artigos feitos por artesãos importantes de todo o país, como Masahiro Furui. Um par de hashi de laca feito à mão chega a custar 2,1 milhões de ienes (cerca de R$ 40 mil). Há também os de âmbar e, para quem procura requinte, até de ouro. Sem falar nos de prata, aço, titânio, marfim, porcelana, vidro. Mas os que fazem sucesso são os de uso cotidiano, feitos de madeira, bambu (fáceis de usar) e plástico (fáceis de lavar) - custam cerca de 2 mil ienes (R$ 40).

Ryusuke Takahashi, dono da Ginza Natsuno, diz que. antes de comprar um hashi, deve-se analisar o comprimento, o tamanho e o formato da ponta que toca a comida, além do material de que é feito. Tudo depende do uso.

Qual seu tamanho de hashi? Takahashi tem uma fórmula: faça um "L" com o polegar e o indicador e meça a distância entre eles. Depois, é só multiplicar a distância por 1,5 e terá a medida exata do seu hashi ideal. Não quer fazer conta? Vá pela média. Os masculinos geralmente medem 23 cm, e os femininos, 21 cm. Há até para crianças, com 13 cm.

Depois, analise a ponta que toca a comida. Se tiver sulcos ou for irregular, será mais fácil segurar os alimentos. "Quanto mais fina, mais suave será a maneira de tocar a comida. É como a diferença entre usar copo de vidro comum ou uma taça de cristal Riedel", compara. A outra ponta também é importante. Dependendo do seu formato, ajudará, ou não, a manter o controle do hashi.

Qual é o melhor para os não iniciados? O especialista recomenda palitinhos de madeira e bambu. "São ideais para quem não tem prática, por serem mais aderentes. Os de laca são suaves ao toque e bons de usar, mas devem ser evitados com comidas que escorregam. E o artesanal, com ponta quadrada e textura irregular, é um bom curinga."

Os de marfim são os que proporcionam maior sensação de suavidade. E os de vidro são usados só para servir, porque quebram. "Os de prata, aço e titânio não são populares, pois a sensação ao toque na boca não é boa", diz. "Os samurais usavam os de prata não porque eram bons, mas porque mudavam de cor se houvesse veneno na comida."

 

ONDE FICA

Ginza Natsuno

6-7-4 Ginza Chuo-ku, próximo à estação de metrô Ginza.

00/xx/81 3 3569-0952.

10h/20h (dom., 10h/19h)

 

Hashi 'ecológico'

Preocupados com a destruição das florestas e com o lixo gerado pelos hashi descartáveis, de madeira, os japoneses criaram recentemente um movimento no país para incentivar que cada um leve de casa seu próprio par de hashi sempre que for comer em restaurantes - há kits de hashi coloridos, vendidos em caixinhas próprias para carregar na bolsa. Empresas como a My Hashi My Heart (my-hashi.jp) também fazem campanha, divulgando a mensagem ecológica e vendendo hashi separadamente, para que cada um monte pares coloridos ao seu gosto.

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