De comida de gato, ele passou a iguaria

Considerado gordo demais, o bluefin era desvalorizado no passado. Só em meados do século 20 os japoneses começaram a apreciar fartamente a sua carne gordurosa. Nos Estados Unidos, a sua pesca era prioritariamente esportiva, e a carne, usada para fazer comida de gato. Até que, em 1972, um negociante japonês comprou um espécime em Gloucester, na costa de Massachusetts, e enviou para Tóquio.

Tânia Nogueira,

15 de abril de 2010 | 08h49

 

Começou aí uma das mais rentáveis rotas de comércio internacional. Maior do gênero, o bluefin atinge centenas de quilos e tem dedos de camadas de gordura, o que torna sua carne extremamente macia e saborosa.

 

Graças a isso, o bluefin se tornou a principal atração de um mercado que movimenta bilhões de dólares anualmente e liga os cinco continentes.

 

Mas a popularização de sushis e sashimis em todo o mundo disseminou o gosto pela carne do atum em todas as suas variedades e outras espécies além do bluefin passaram a ser apreciadas. Albacora-cachorra (ou mebachi) e galha-amarela (ou kihada) são as duas espécies mais procuradas depois do bluefin. Atualmente, a pesca de atum, de todas as espécies, soma 6 milhões de toneladas por ano.

 

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Para abastecer seu mercado, os japoneses compram atum de diferentes países (veja quadro abaixo) e além disso enviam para todos os mares sua frota pesqueira superequipada com sonares e outros equipamentos de alta tecnologia capazes de identificar cardumes à distância.

 

Não é raro esses barcos se tornarem alvo de reclamação formal de governos, acusados de pesca ilegal e invasão de águas territoriais, como já ocorreu no Brasil e na Austrália.

 

 

 

PARA ENTENDER

 

O fim do bluefin está mesmo próximo?

Se as previsões dos ambientalistas estiverem certas, dentro de cinco anos ninguém mais vai comer sushi de bluefin. E em nome da espécie, eles pressionam para a proibição de sua pesca. Em março, durante a reunião da Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies em Perigo (Cite), ligada à ONU, chegou a ser votada uma proposta de moratória por tempo indeterminado do comércio internacional da espécie. Mas ela foi rejeitada. Continuam valendo as cotas anuais estabelecidas pela Icaat, que em 2010 autorizaram a pesca de 13,5 mil toneladas. Segundo a associação, a moratória proibiria o comércio internacional, mas EUA e Japão seguiriam pescando bluefin para consumo próprio.

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